
A dívida pública explodiu nos anos da pandemia de Covid-19 — e agora os governos enfrentam dificuldade para reverter esse aumento. Nos Estados Unidos, no Reino Unido, no Japão e na Alemanha, os juros de longo prazo subiram de forma sincronizada, sem que o ciclo econômico tradicional explique sozinho o fenômeno.
Para Arthur Wichmann, CIO da XP Inc. (XPBR31), há uma força por trás desse movimento: governos que gastaram além da conta e não conseguem mais cortar despesas. Nesse cenário, a inteligência artificial aparece como uma possível resposta — não por reduzir gastos diretamente, mas por elevar a produtividade das economias.
“A gente aprendeu a lição de que, na Covid, gastou-se muito dinheiro — só que a gente não está conseguindo colocar a pasta de volta dentro do tubo”, disse Wichmann.
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A metáfora resume o problema político de democracias que precisam apertar o cinto, mas não têm maioria para isso. O resultado é um endividamento que cresce junto com os juros — e aperta cada vez mais o espaço fiscal dos países.
O diagnóstico foi apresentado em live da XP Asset Management no YouTube, conduzida por Wichmann ao lado do economista-chefe Thales Maion e do gestor de capital de risco Romero Rodrigues.
Diante desse quadro, Wichmann enxerga apenas dois caminhos: bancos centrais aceitarem uma inflação um pouco mais alta por mais tempo — corroendo lentamente o peso das dívidas — ou um salto de produtividade capaz de gerar riqueza suficiente para pagar as contas. É nesse segundo caminho que a inteligência artificial entra em cena.
O sinal que chamou a atenção do executivo foi concreto: um modelo de linguagem resolveu, com apenas seis linhas de instrução, um problema matemático que pesquisadores perseguiam há 80 anos.
“Aí eu comecei a olhar isso e falar: peraí, tem uma coisa diferente acontecendo aqui”, disse Wichmann.
A sensação de 2000 — mas desta vez é diferente
Quem também não esconde o entusiasmo é Romero Rodrigues, responsável pelos investimentos em empresas de tecnologia em estágio inicial da XP Asset. Para ele, o momento atual guarda semelhança com os primeiros anos da internet — quando poucos percebiam a dimensão do que estava vindo.
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“A última vez que eu senti vontade de verdade de largar tudo e empreender foi em 2000, e está sendo agora de novo”, afirmou.
Mas há uma diferença crucial, segundo Rodrigues. A internet transformou o varejo. O celular mudou a comunicação. As redes sociais alteraram comportamentos. Cada uma dessas ondas atingiu um setor de cada vez. A inteligência artificial, não: ela atravessa todos ao mesmo tempo.
“Se tem um momento em que a gente estava com um jogo de War com todas as fichas já meio que do meio para o final do jogo, alguém chutou a mesa: foi agora.”
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Rodrigues também rebateu o ceticismo de quem imagina que robôs físicos inteligentes são coisa de décadas adiante. Segundo ele, o caminho começa pela indústria, não pelas casas. Robôs vão primeiro fabricar mais robôs — e com isso o custo de produzi-los despenca de forma contínua.
“Um vira dois, dois vira quatro, quatro vira oito, a ponto do custo do robô tender ao custo da matéria-prima mais energia para produzir”
Testes já em curso — e todos positivos
Nas empresas que acompanha de perto, os sinais já aparecem no cotidiano. Desde o início do ano, startups dos mais variados segmentos testaram sistemas de inteligência artificial para cobranças, relatórios financeiros, vendas e desenvolvimento de programas. O resultado, segundo Rodrigues, surpreendeu até os mais otimistas.
“Todos esses testes acontecendo ao longo dos últimos quatro, cinco meses, todos positivos e todos planejados para entrar em produção ainda esse ano”, revelou o gestor.
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Para ele, os ganhos não virão de uma só vez, mas em cascata — um sobre o outro —, mais cedo do que o mercado ainda espera.
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