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O presidente Lula (PT) ainda não formalizou a indicação do novo ocupante da vaga deixada por Luís Roberto Barroso no STF (Supremo Tribunal Federal) mas tudo indica que não será desta vez que a ministra Cármen Lúcia deixará de ser a solitária representante de mais da metade da população brasileira, as mulheres, na corte.

Nas três oportunidades que teve de nomear ministros ao Supremo desde que foi empossado, em 2023, Lula optou por homens. Escolheu Cristiano Zanin para substituir Ricardo Lewandowski, Flávio Dino para a vaga de Rosa Weber e agora deve nomear o advogado-geral da União, Jorge Messias.

Mas como a presença de mulheres em cortes superiores afeta os tribunais? Faz diferença ter juízas e ministras no funcionamento do Judiciário?

Segundo a professora de direito da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) Juliana Cesário Alvim, sim. Primeiro, porque há estudos no exterior que apontam para uma mudança nas decisões sobre temas ligados à discriminação por gênero ou sexo quando há uma presença maior de mulheres.

Além disso, a presença de mulheres cria espaços para novas perspectivas nos julgamentos, ainda que não altere os resultados. A professora cita, por exemplo, a juíza Ketanji Brown Jackson, primeira mulher negra indicada à Suprema Corte dos Estados Unidos. “Ela quase sempre é voto vencido, mas traz argumentos que não chegavam à corte antes e isso é muito importante”, diz Cesário Alvim.

É a chamada política da presença, explica a pesquisadora Débora Thomé, da Fundação Getúlio Vargas. “As pessoas não são dissociadas das suas experiências vividas, do lugar que elas ocupam no mundo”, afirma.

Ou seja, se cada ministro decidirá a partir de seu “lugar no mundo”, a falta de mulheres e de pessoas negras faz desaparecer perspectivas majoritárias na sociedade brasileira, argumenta.

As pesquisadoras também apontam que o número ínfimo de mulheres que já ocuparam postos no STF faz com que a corte adote dinâmicas de gênero nos próprios trabalhos.

Em um artigo publicado em 2024 no Journal of Empirical Legal Studies, Cesário Alvim e colegas demonstraram, por exemplo, que as ministras brasileiras são mais interrompidas do que seus colegas homens durante as falas no tribunal. Além disso, quando elas são relatoras, os ministros homens tendem a abrir mais divergências.

Os estudos partiram de uma fala da ministra Cármen Lúcia que, em 2017, deu uma bronca em plenário no colega Luiz Fux. O ministro havia dito que “concederia” a palavra a Rosa Weber.

Foi interpelado por Cármen, que presidia a corte: “Como concede a palavra? É a vez dela de votar. Ela é que concede, se quiser, a Vossa Excelência um aparte”, ralhou a ministra. E relatou uma conversa que teve com a juíza Sonia Sotomayor, da Suprema Corte dos EUA.

“A ministra Sotomayor me perguntou: ‘E lá [no Brasil], como é que é?’ ‘Lá, em geral, eu e a ministra Rosa não nos deixam falar. Então, nós não somos interrompidas’. Mas agora é a vez da ministra Rosa, por direito constitucional, de votar. Tem a palavra, ministra”, concluiu.

Uma mulher para conhecer

Ellen Gracie (1948)

Primeira mulher indicada como ministra do Supremo Tribunal Federal, em 2000. A juíza carioca radicada no Rio Grande do Sul formou-se em direito pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Trabalhou como advogada, procuradora e juíza do TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região antes de ser alocada ao STF pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

Foi a primeira mulher a presidir a corte, entre 2006 e 2008, e aposentou-se em 2011, sendo substituída pela ministra Rosa Weber.

Resumo da Edição da Newsletter Todas – 22 de outubro

Na edição desta quarta-feira, a newsletter discute a ausência de mulheres no Supremo Tribunal Federal (STF) e o impacto que isso tem nas decisões judiciais. O presidente Lula ainda não nomeou um substituto para Luís Roberto Barroso e, ao longo de suas nomeações, escolheu apenas homens, perpetuando a desproporcionalidade de gênero na corte. Especialistas como Juliana Cesário Alvim e Débora Thomé destacam que a presença feminina é crucial, pois mudanças nas decisões relacionadas a gênero são mais frequentes com juízas, além de oferecer novas perspectivas nos julgamentos. Estudos revelam que as ministras são frequentemente interrompidas nas falas e enfrentam divergências maiores quando atuam como relatoras. O artigo também menciona um incidente envolvendo a ministra Cármen Lúcia, que enfatizou a importância de respeitar o direito constitucional de palavras das colegas. Finalizando, a edição apresenta Ellen Gracie, a primeira mulher a ocupar um cargo no STF, destacando suas contribuições ao Judiciário brasileiro.

Conclusão: A falta de representação feminina no Supremo não apenas limita a diversidade de opiniões, mas também afeta a qualidade das decisões, reforçando a urgência de uma maior inclusão de mulheres e minorias na justiça.

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Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da FONTE.

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