A queda recente do ouro foi intensa e interrompeu um rali que havia levado o metal a níveis recordes. Em poucos pregões, os preços devolveram grande parte dos ganhos e entraram em uma fase de volatilidade elevada, que se estende até a primeira sessão de fevereiro, nesta segunda-feira (2).

O movimento foi provocado pela combinação de um mercado já esticado com uma mudança brusca de expectativas. A indicação de Kevin Warsh para o Federal Reserve fortaleceu o dólar e pressionou ativos sensíveis a juros, encontrando um mercado de metais carregado de posições alavancadas que aceleraram as desmontagens após a CME aumentar as margens exigidas para contratos futuros.

Com a queda forte, investidores voltaram a ter a dúvida: trata-se apenas de uma correção ou um sinal de mudança no ciclo do ouro?

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É uma virada estrutural?

A avaliação predominante entre grandes bancos é que, por ora, a tese de busca do ouro como diversificação do dólar (o chamado debasement trade) não mudou.

O UBS argumenta que mercados altistas do ouro raramente terminam por causa de uma correção pontual, mesmo quando ela é intensa. Historicamente, os grandes ciclos de queda do ouro ocorreram quando há uma mudança clara de regime monetário, com juros reais elevados por períodos prolongados, dólar estruturalmente forte, melhora consistente do ambiente geopolítico e recuperação plena da credibilidade dos bancos centrais.

“Os mercados altistas do ouro quase sempre terminaram quando os bancos centrais conseguiram restabelecer sua credibilidade de forma duradoura”, afirma o UBS, em relatório. “Essas condições ainda não estão presentes.”

O banco avalia que o ouro está em uma fase intermediária a avançada do ciclo, na qual novas máximas convivem com correções relevantes ao longo do caminho, algo observado em ciclos anteriores sem que a tendência de longo prazo fosse interrompida.

O JPMorgan reforça essa leitura ao afirmar que a correção recente foi consequência de preços excessivamente esticados no curto prazo, e não de uma deterioração dos fundamentos. Para o banco, o ouro segue inserido em um movimento estrutural de diversificação de portfólio, em um ambiente no qual ativos reais continuam ganhando espaço em relação a ativos financeiros.

“Embora o ar fique mais rarefeito à medida que os preços sobem, ainda não estamos próximos de um ponto em que o rali estrutural do ouro corra o risco de colapsar sob o próprio peso”, afirma o JPMorgan em nota a investidores institucionais.

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O que esperar dos preços daqui para frente?

Se o ciclo estrutural segue de pé, o consenso entre analistas é que a volatilidade deve permanecer elevada no curto prazo, impulsionada por ajustes técnicos, menor liquidez e redução de posições alavancadas.

Para o CIO Group o pano de fundo geopolítico contribui para esse padrão. “O atual cenário global sugere que choques de preço mais frequentes e movimentos abruptos devem fazer parte do novo normal dos mercados”, diz a casa em relatório.

No entanto, a expectativa é de retomada da alta, sustentada por compras de bancos centrais, entrada de recursos em ETFs e juros reais mais baixos.

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O UBS projeta um período de consolidação, com o ouro encontrando suporte em entre US$ 4.500 e US$ 4.800 por onça, antes de voltar a subir em direção a cerca de US$ 6.200 ao longo de 2026.

“Enquanto não houver uma alta sustentada dos juros reais, maior estabilidade política e restauração plena da credibilidade dos bancos centrais, acreditamos que o ouro deve retomar sua tendência de alta.”

O JPMorgan é ainda mais construtivo e projeta o ouro em US$ 6.300 por onça até o fim de 2026, avaliando que a demanda estrutural segue forte e que a correção recente não compromete o ciclo de longo prazo.

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O que isso significa para o investidor?

A principal conclusão até aqui é que a queda recente não muda o papel do ouro dentro da carteira, mas muda a expectativa sobre o caminho até novos patamares.

“O ouro não deve ser visto como um ativo de momentum, mas como uma proteção estratégica de longo prazo dentro do portfólio”, destaca o UBS.

Já o Bradesco BBI é mais direto e recomenda aproveitar a queda. “Embora reconheçamos que a volatilidade no curto prazo deve permanecer elevada, mantemos uma visão construtiva para o ouro e vemos o recuo atual como uma oportunidade”, indicam os analistas do BBI.

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“Continuamos a prever que as tensões geopolíticas globais permanecerão elevadas e que o comércio de desvalorização cambial em geral se manterá intacto, o que deverá sustentar uma forte procura por ouro por parte tanto dos bancos centrais como dos investidores financeiros”, avalia o banco.

E a prata?

A queda da prata foi ainda mais intensa do que a do ouro e refletiu um mercado muito mais esticado – antes da correção, o metal acumulava valorização próxima de 250% em base anual.

Agora a perspectiva é mais cautelosa do que no ouro, pois não conta com compras de bancos centrais, o que a torna mais dependente de fluxos financeiros e da demanda industrial.

Para o UBS, os preços já se encontram próximos de suas estimativas de longo prazo, em torno de US$ 85 por onça, e ainda não oferecem uma relação risco-retorno atrativa no curto prazo.

O JPMorgan também adota um tom mais prudente em relação à prata do que ao ouro, reconhecendo que o metal deve manter um piso mais alto do que em ciclos anteriores, na faixa de US$ 75 a US$ 80 por onça.

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Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da fonte.

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