A Petrobras (PETR3;PETR4) divulgou seus dados de produção e vendas, fechando o quarto trimestre do ano com produção média de 3,081 milhões de barris diários (boed) de óleo equivalente (petróleo e gás natural), uma alta de 18,6% na comparação com igual período do ano passado. No ano, a produção média foi de 2,960 milhões de boed, 11,1% maior.
Em relação ao terceiro trimestre de 2025, o período de outubro a dezembro apresentou queda de 1,1% na produção.
A estatal coloca entre os principais fatores para o aumento da produção na base anual a alta da capacidade de produção dos FPSOs Almirante Tamandaré e Marechal Duque de Caxias e a maior eficiência operacional, de 3,6 ponto percentual (p.p) acima do resultado de 2024, principalmente em plataformas da Bacia de Santos.
Viva do lucro de grandes empresas
Na visão da XP Investimentos, os dados foram marginalmente positivos. A leve queda na produção já era esperada e amplamente antecipada. Apesar de volumes de produção relativamente neutros, acredita que o relatório adiciona um potencial positivo ao resultado do 4° trimestre de 2025, já que as vendas implicaram uma desestocagem de cerca de 178 mil barris por dia (kbpd).
O JPMorgan vê os dados como neutros. No geral, o 4º trimestre apresentou níveis de produção estáveis em comparação com o trimestre anterior, praticamente em linha com as expectativas. A produção no pré-sal permanece dominante, com 82%, próxima aos níveis recordes observados no trimestre anterior.
No acumulado do ano, a Petrobras superou o limite superior de sua projeção em 4%, com crescimento de produção de 11% em relação a 2024. No segmento de refino e distribuição, as vendas também ficaram em linha com as expectativas e ligeiramente abaixo do 3º trimestre de 2025 devido a fatores sazonais. As vendas de combustíveis atingiram 1,771 milhão barris por dia, novamente em linha com as expectativas da JPMorgan. Para o futuro, espera uma continuidade no crescimento da produção, à medida que a empresa aumenta sua capacidade e coloca em operação novas plataformas.
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O BTG Pactual aponta ainda produção estável em exploração e menor utilização das refinarias parcialmente compensada por maiores exportações de petróleo.
De olho nos resultados do 4º trimestre
Após os dados de produção do quarto trimestre, os analistas ajustaram suas projeções para os resultados, a serem divulgados no próximo dia 5 de março.
O Goldman Sachs aponta estar em grande parte alinhado com o consenso da Bloomberg em relação ao nível de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para o trimestre e, atualmente, espera que a empresa anuncie US$ 1,3 bilhão em dividendos ordinários juntamente com os lucros (rendimento de dividendos de aproximadamente 1%), com base na política de remuneração de acionistas da empresa de distribuir 45% do fluxo de caixa livre em proventos.
“Vale lembrar que a distribuição deste trimestre deve ser impactada negativamente pela aquisição das participações minoritárias do governo nos campos do pré-sal na Bacia de Santos em dezembro”, aponta.
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O Itaú BBA espera que a empresa apresente um Ebitda de US$ 10,6 bilhões para o 4T25 (queda de 12% em relação ao trimestre anterior). Isso deve resultar em um fluxo de caixa operacional de US$ 8,6 bilhões para o trimestre, o qual, após o capex estimado em US$ 6,4 bilhões, implicaria um pagamento de dividendos ordinários de US$ 1,0 bilhão no 4T25, correspondendo a um rendimento de dividendos de 1,1%, avalia o banco.
“Houve alguns eventos pontuais neste trimestre, incluindo um pagamento de US$ 1,3 bilhão relacionado ao leilão do pré-sal realizado no final do ano passado, bem como um pagamento de US$ 285 milhões associado ao campo de Jubarte. Este último deverá reduzir o lucro antes dos impostos (EBT) em aproximadamente US$ 712 milhões no 4T25”, aponta.
A equipe de análise do BBA estima um investimento total de capital (Capex) de US$ 5,7 bilhões no 4T25 (um aumento de 4% em relação ao trimestre anterior), impulsionado pela sazonalidade típica que concentra uma parcela maior dos investimentos no último trimestre do ano, que historicamente representa aproximadamente 29% do Capex anual.
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Como resultado, projeta um Capex total para 2025 de US$ 19,7 bilhões, 7% acima da projeção de US$ 18,5 bilhões delineada no Plano Estratégico 2025-2029. Por conta leilão, o desembolso de caixa do 4T25 irá para aproximadamente US$ 6,4 bilhões (um aumento de 30% em relação ao trimestre anterior).
O BTG Pactual destaca que, apesar de spreads de refino mais fortes, a queda do Brent deve resultar em redução sequencial de aproximadamente 5% no Ebitda. A aceleração do capex no fim do ano, estimado em cerca de US$ 5,5 bilhões, somado a saídas de caixa pontuais de US$ 1,7 bilhão, pressiona a geração de caixa.
Como consequência, os dividendos devem ficar pressionados, com estimativa de US$1,2 bilhão no trimestre, abaixo do consenso de US$1,7 bilhão.
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“Reiteramos a recomendação neutra devido a perspectivas financeiras apertadas, baixa visibilidade macro-política e yield estimado de cerca de 8% em 2026, limitando o avanço do valuation. O Ebitda projetado é de US$ 11,25 bilhões, queda de 5% trimestralmente, refletindo recuo de 7% no Brent e produção estável”, aponta.
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