
Joyce Moreno faz show com o repertório do álbum ‘Passarinho urbano’ em 20 e 21 de fevereiro em São Paulo
Divulgação / Week-End Records
♫ NOTÍCIA
♬ Álbum lançado por Joyce Moreno em 1976, “Passarinho urbano” alça novos voos, 50 anos após o lançamento do disco, em dois shows agendados para 20 e 21 de fevereiro no Sesc Belenzinho, em São Paulo (SP).
O show estreou em 2019, em apresentação idealizada para ser única, mas acabou permanecendo em cena de forma eventual no embalo da revalorização do álbum “Passarinho urbano” – o que não deixa de ser curioso pelo fato de o álbum mostrar Joyce fora do trilho autoral recorrente na trajetória da artista.
Revelada em 1964, Joyce Moreno fez nome como compositora de obra autoral pautada tanto pelo suingue do samba-jazz e pelo balanço da bossa como pela feminilidade entranhada em canções que fizeram as cabeças de cantoras como Elis Regina (1945 – 1982) e Maria Bethânia. Contudo, a artista carioca levou 15 anos para consolidar a carreira fonográfica.
O sucesso aconteceu a partir de 1979. Antes, Joyce gravou discos recebidos quase em silêncio no Brasil, mas que, com o passar dos anos, foram ganhando admiradores e se tornando objeto de culto. É o caso de “Passarinho urbano”, álbum gravado pela artista na Itália em 1975, no estúdio mantido em Roma pelo compositor e produtor Sergio Bardotti (1939 – 2007), e lançado em 1976.
Já relançado no formato original de LP no Brasil e no exterior, “Passarinho urbano” é o primeiro álbum de Joyce como intérprete. No disco, a cantora deu voz a compositores do Brasil que resistiam diante da truculência da ditadura que dominava o país desde 1964.
O repertório incluiu músicas então recentes de compositores como Caetano Veloso (“Joia”, música-título de um dos dois álbuns lançados pelo artista em 1975), Chico Buarque (“Fado tropical”, parceria com Ruy Guerra, da safra de 1973) e João Bosco & Aldir Blanc (1946 – 2020) (“De frente pro crime”, samba de 1974), entre temas da década de 1960, casos de “Opinião” (Zé Ketti, 1964) e “Marcha da quarta-feira de cinzas” (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1962).
Com a palavra, a própria Joyce Moreno: “ ‘Passarinho urbano’ chegou meio tímido no Brasil, sem show, sem muito se falar sobre ele, mas, com o tempo, o interesse foi crescendo tanto aqui quanto no exterior. Virou um artigo raro, acho que muito pelo lado político, pela coragem. Como estava na Europa, aproveitei para gravar os amigos que estavam sofrendo censura aqui no Brasil. Em 2019, o assunto estava latente por aqui e tive vontade de pegar meu violão, subir em um palco, e lembrar a produção artística genial de tempos duros que não devem voltar jamais. Era para ser apenas uma apresentação, quase que um desabafo. Mas, desde então, vez ou outra alguém me chama e o ‘Passarinho’ voa por aí. Agora, nessas duas apresentações em São Paulo, o motivo é de festa. Vamos comemorar e lembrar os 50 anos de lançamento desse álbum”, contextualiza a artista, que gravou o álbum “Passarinho urbano” na Itália porque acabara de fazer turnê pela Europa com Vinicius de Moraes (1913 – 1980).
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