A crise energética em Cuba está levando as condições sociais e econômicas da ilha com 11 milhões de habitantes para algo próximo do insuportável. Notícias e relatos em vários sites, jornais e agências de notícias dão conta de ruas e avenidas quase sem carros por conta da falta de combustível, apagões cada vez mais frequentes e demorados, idosos e doentes presos em prédios por falta de elevadores e condições críticas de atendimento nos hospitais.
O governo cubano anunciou um plano de racionamento da venda de combustível, para apoiar o uso preferencial às atividades econômicas imprescindíveis e serviços essenciais, além de priorizar o trabalho à distância dos servidores e adotar aulas semipresenciais nas universidades. Alguns hotéis foram fechados e os turistas foram realocados, muitos deles presos na ilha pela falta de querosene de aviação nos aeroportos.
Cuba vive racionando os recursos há décadas, devido ao constante embargo de bens imposto pelos Estados Unidos, ainda que entre apertos e alívios, dependendo de quem está no poder na Casa Branca.
Aproveite a alta da Bolsa!
Leia também: Rússia fornecerá ajuda material a Cuba, afirma diplomata a agência
Leia também: Governo Lula avalia ajuda humanitária a Cuba sob pressão dos EUA
Bloqueio do petróleo
Nesse segunda gestão de Donald Trump, a situação só piorou. Cuba sofreu com a escassez de financiamento no início dos anos 1990, com o colapso da União Soviética, mas achou um substituto na Venezuela, que aportava recursos e enviava combustível a preços amigos desde os tempos de Hugo Chavez no comando do país sul-americano.
Continua depois da publicidade
O cerco à Venezuela imposto em 2025, que culminou com a deposição e captura de Nicolás Maduro por tropas americanas no início de 2026, retirou a última sustentação econômica cubana. A ameaça de Trump a quem quebrar o bloqueio, deixou a ilha em semiabandono internacional.
Na prática, Trump interrompeu o fornecimento de petróleo ao país. Cuba precisa de 100 mil barris por dia, mas só consegue produzir 40% dessa demanda.
A crise econômica só escalou desde então. Na semana passada, as autoridades de aviação alertaram que estavam sem combustível de aviação, o que levou várias companhias aéreas a cancelar voos para a ilha. Na ocasião, ainda havia centenas de turistas russos e canadenses sem saber como voltariam para casa.
Leia também: Em situação crítica, Cuba fica sem combustível para voos internacionais
Às escuras
A Bloomberg informou nesta semana que numa comparação de imagens de satélite fornecidas pela Nasa, é possível afirmar que o nível de luz emitida em Havana e Holguín está 50% da média histórica.
O impacto da falta de energia no dia a dia dos cubanos está atingindo níveis críticos. O Ministério da Saúde Pública de Cuba informou que quase 33 mil gestantes enfrentarão riscos, ameaças e limitações adicionais como resultado do bloqueio energético contra Cuba, disse o jornal oficial Granma. Ao mesmo tempo, estão comprometidos outros serviços vitais para recém-nascidos, menores, diabéticos, pessoas em tratamento contra câncer ou que necessitam de intervenções cirúrgicas ou emergências.
Continua depois da publicidade
Na sexta-feira, a Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que mais de 80% dos equipamentos de bombeamento de água em Cuba dependem de eletricidade, e que os cortes de energia afetam o acesso a água potável, o saneamento e a higiene.
Sem elevador
O site independente 14yMedio trouxe neste sábado matéria mostrando como moradores de prédios de 13 andares construídos nos anos 1980 em Matanzas estão exaustos de tanto andar nas escadas. Ninguém quer se aventurar nessa época de apagões nos poucos elevadores que ainda funcionam, após décadas de assistência técnica negligentes. Há quem receba mantimentos e outros itens de subsistência em cestos amarrados em cordas, especialmente pessoas mais idosas.
Os bicitáxis, que levam não só turistas, mas também moradores locais, é um meio de transporte cada vez mais comum. Outra característica tanto em Havana e outras cidades maiores é proliferação dos “jovens da entrega”, um serviço agora só possível de fazer com bicicletas e triciclos elétricos.
Continua depois da publicidade
Os estabelecimentos recebem os pedidos via WatsApp e os entregadores acabam movimentando parte da economia cubana. E entregam de tudo, de remédio a flores e bolos, passando por bacias de banho para bebês. Itens congelados estão sendo evitados pelos consumidores por temor de que a refrigeração em casa não seja possível.
Sobre ajudas que vem do exterior, a agência EFE disse que migrantes nos Estados Unidos estão acelerando o envio de alimentos e remédios para suas famílias diante da crise crescente na ilha, enquanto esperam “o regime cair”.
A reportagem contou que dezenas de exilados forma filas em empresas de navegação em Little Havana, para embarcar caixas e sacos de comida, papel higiênico e outros itens essenciais.
Continua depois da publicidade
As doações humanitárias dos EUA para Cuba quase dobraram em 2025, com um valor estimado de US$ 130,9 milhões em comparação com US$ 67,8 milhões no ano anterior, segundo um relatório do Conselho Econômico e de Comércio EUA-Cuba.
_____________________________
_____________________
_____________
_______
___






















