(Bloomberg) — A Meta vai implantar 6 gigawatts em equipamentos de data center com processadores da AMD, o que equivale a um acordo de proporções gigantescas que marca uma vitória para os esforços da fabricante de chips em alcançar a Nvidia.
A Meta pretende comprar chips e computadores da AMD, projetados para rodar modelos de inteligência artificial ao longo de um período de cinco anos, começando no segundo semestre de 2026. A série de transações valerá “dezenas de bilhões” de dólares por gigawatt, de acordo com a CEO da AMD, Lisa Su.
Como parte do acordo, a Meta recebe garantias (warrants) para comprar 160 milhões de ações da AMD em etapas, segundo as duas empresas. As ações serão garantidas à medida que o projeto e o preço das ações da AMD atingirem certos objetivos, transformando a Meta em uma acionista majoritária.
Viva do lucro de grandes empresas
O acordo é o passo mais recente em uma maratona de gastos colossais da Meta, proprietária do Facebook e Instagram. O CEO Mark Zuckerberg tornou a IA a prioridade máxima da empresa, prometendo dedicar centenas de bilhões de dólares para “antecipar agressivamente” a capacidade de computação.
As ações da AMD subiram até 15% nas negociações antes da abertura dos mercados em Nova York. As ações da Meta subiam 0,6%.
No mês passado, o executivo anunciou uma nova iniciativa chamada Meta Compute, focada em construir “dezenas de gigawatts nesta década e centenas de gigawatts ou mais ao longo do tempo” para garantir uma vantagem estratégica sobre os concorrentes.
Continua depois da publicidade
Um gigawatt representa a produção de um reator nuclear — eletricidade suficiente para abastecer cerca de 700.000 residências.
O anúncio sinaliza que a AMD está acompanhando o ritmo da rival maior, a Nvidia, que revelou sua própria parceria com a Meta na semana passada. E mostra que os gastos amplos em equipamentos de IA continuam a acelerar, mesmo com alguns investidores expressando temores de uma bolha de investimentos.
Para a Meta, o acordo com a AMD trará componentes customizados para suas necessidades. Ela também terá a capacidade de influenciar como esses semicondutores serão projetados daqui para frente.
“Nossas ambições são bastante altas”, disse Santosh Janardhan, chefe de infraestrutura global da Meta, que supervisiona os data centers da empresa e sua arquitetura técnica. A Meta planeja seguir em frente com seus próprios esforços de chips de IA customizados internamente e continuará a comprar da Nvidia, com os chips sendo usados para suportar diferentes cargas de trabalho.
“Na escala em que estamos falando, há lugar para as três”, disse Janardhan durante uma entrevista a repórteres.
Janardhan, que agora responde diretamente a Zuckerberg, acrescentou que a empresa ainda não decidiu quais de seus data centers usarão os novos chips entregues por meio dessa parceria expandida com a AMD. Espera-se que os processadores ajudem na fase de inferência da IA — a fase em que os modelos treinados são colocados em uso.
Continua depois da publicidade
Lisa Su, da AMD, disse que a Meta, que já ajudou a influenciar o design dos chips da AMD, receberá versões personalizadas de seu próximo acelerador, o MI450, e produtos sucessores. Essa capacidade de definir mais de perto o que precisa foi parte do motivo para se comprometer com a AMD, disse Janardhan.
“O que pretendemos fazer é crescer e acelerar”, disse Su. “Estávamos em um caminho muito bom com a Meta, mas isso realmente leva nosso relacionamento para o próximo nível.”
A Meta já é a segunda maior cliente da AMD e se tornará cada vez mais vital para o crescimento da fabricante de chips. A AMD reportou US$ 34,6 bilhões em vendas no ano passado e está no caminho para aumentar a receita em 34% este ano, de acordo com estimativas de Wall Street. A adição de até US$ 10 bilhões em vendas extras aceleraria seus esforços para ganhar terreno sobre a Nvidia.
Continua depois da publicidade
Mesmo com o crescimento, os investidores da AMD tornaram-se mais céticos quanto às suas perspectivas nas últimas semanas. Eles temem que as empresas de IA não consigam crescer rápido o suficiente para justificar suas avaliações. Depois que as ações da AMD saltaram 77% em 2025, elas caíram 8,2% até agora este ano.
A união com a Meta assume que as ações da AMD estão apenas no início de um rali mais longo. Algumas das garantias da Meta só seriam exercidas se o preço da ação atingisse US$ 600. A ação fechou segunda-feira a US$ 196,60.
© 2026 Bloomberg L.P.
_____________________________
_____________________
_____________
_______
___























