Luísa Sonza lança mais uma música do ainda inédito álbum ‘Brutal paraíso’, ‘Fruto do tempo’, bem superior ao single inicial ‘Telefone’
Pam Martins / Divulgação
♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR
♬ Integro o time de admiradores do álbum lançado por Luísa Sonza em 13 de janeiro com regravações do cancioneiro da bossa nova. Acho que fui o crítico mais entusiasmado com o álbum. Luísa está cantando muito bem, com fluência, com a leveza exigida por músicas como “O barquinho” (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1961) e com um charme próprio da artista.
Gostei mesmo e percebi que o álbum “Bossa sempre nova” desceu mais macio para a minha geração (a que cresceu ouvindo MPB) do que para a geração da artista. Por isso mesmo, alimento expectativas quanto ao quarto álbum autoral da cantora, “Brutal paraíso”, programado para 7 de abril. Até porque Luísa Sonza vem evoluindo. O álbum anterior “Escândalo íntimo” (2023) é um bom disco.
Diante desse quadro otimista, o primeiro single do vindouro álbum “Brutal paraíso” – lançado em 17 de março com a música “Telefone” (Luísa Sonza, Roy Lenzo, Jahnei Clarke, Douglas Moda, Carolzinha, Ariana Wrong, TK Kayembe e Flávio Verne) – jogou balde de água fria nas minhas expectativas. Achei a música ruim, um pop funk genérico.
“Telefone” me soou como passo à trás na discografia da cantora. Para piorar, Luíza ainda usou sample de “Desbloqueia a tela”, funk de Selminho DJ e MC Denny, artista acusado no fim de 2017 de fazer apologia ao estupro em versos do funk “Vai, faz a fila”. Enfim, desliguei “Telefone” da minha mente após três audições desanimadoras.
Mas eis que o segundo single do álbum “Brutal paraíso” chegou ao mundo na quinta-feira, 26 de março, com a música “Fruto do tempo” (Luísa Sonza. Kalli, Douglas Moda e Nico Wellenbrick), e elevou novamente as expectativas relativas quarto álbum autoral de Luísa Sonza.
A cantora e compositora mostra com “Fruto do tempo” que a imersão no cancioneiro da bossa nova lhe fez bem e que, não, o disco com Roberto Menescal e Toquinho não foi em vão (aliás, haverá turnê da cantora com Menescal no segundo semestre). O alardeado diálogo conceitual de “Fruto do tempo” com a letra do afrosamba “Consolação” (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963) soa crível.
Luísa está cantando bem essa música que abre “Brutal paraíso” e que parece dar o tom de álbum em que a artista aborda temas como culpa, desejo, fragilidade e vício com sonoridade contemporânea que, de acordo com o texto promocional do single “Fruto do tempo”, aproxima Luísa Sonza do universo do rock e do pós-punk.
O mundo está embrutecido, longe da leveza da bossa, e Luísa Sonza não quer maquiar a realidade. Mas a realidade é que ninguém permanece (musicalmente) igual após um mergulho no mar da bossa nova.

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Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da fonte.

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