
t.A.T.u. estreia no Brasil com hits e polêmicas: ‘Voltamos aos 16 anos de novo’
Entre 1999 e 2011, Lena Katina e Julia Volkova fizeram sucesso cantando sobre o amor de duas garotas. Vestidas de colegiais, com roupas molhadas pela chuva, elas se beijavam. Como fãs do t.A.T.u. já sabem, os amassos daquelas duas meninas de 16 anos eram de mentirinha.
Com o romance fake, a dupla russa vendeu 10 milhões de álbuns e chegou ao primeiro lugar em mais de dez países. O auge veio acompanhado de clipes libidinosos e batidas da eurodance de hits como “Not Gonna Get Us” e “All The Things She Said”. Esses e outros sucessos estarão na estreia brasileira da dupla, com show em maio, em São Paulo (veja mais detalhes no fim do texto).
Basta passar o olho pelos comentários mais recentes dos vídeos da dupla no YouTube para entender por que muitos membros do fã-clube das t.A.T.u. se identificaram como membros da comunidade LGBT: segundo eles, a dupla foi uma bela ajuda nessa aceitação.
Lena e Julia eram conhecidas por clipes picantes que não poderiam ter sido gravados na Rússia hoje. Em 2013, entrou em vigor uma lei que criminaliza a divulgação do que autoridades russas chamam de “propaganda gay”. Por esse motivo, a assessoria da dupla pediu que nenhuma pergunta com temas referentes à comunidade LGBT fosse feita.
Julia teve formação clássica em canto e piano na Escola Estadual de Música de Moscou. Lena é filha de Sergey Katin, músico reconhecido. Ela estudou Psicologia na Universidade de Moscou e é muito ligada em literatura. O t.A.T.u. uniu as duas, mas as opiniões sobre a comunidade LGBT as distanciaram. Em 2014, um jornalista perguntou se Julia aceitaria um filho gay. Ela disse que não. Depois, disse ter se arrependido da declaração.
Distante dessas polêmicas, a parte musical do t.A.T.u. ficava a cargo de Trevor Horn, ex-líder do The Buggles, do hit “Video Killed the Radio Star”. Horn passou pelo Yes e escreveu hits como “Kiss From a Rose”, do Seal. Parou de trabalhar com as duas a partir do terceiro álbum, de 2009.
Após dez anos sem se falarem, elas se reuniram para performances na TV russa a partir de 2022, mas sem turnês. Hoje, as duas cantoras de 41 anos têm filhos e estão em relacionamentos heterossexuais.
Ao g1, a dupla falou sobre amadurecimento, fãs brasileiros, a correria do começo da carreira e o europop intenso e dramático que gera hits e polêmicas há mais de 25 anos.
Lena Katina e Julia Volkova, do t.A.T.u.
Divulgação
g1 – Como é a sensação de retornar ao Brasil depois de todos esses anos e ver que suas músicas ainda são lembradas pelos fãs daqui?
Julia Volkova – É incrível. Somos duas garotas russas, na verdade, agora duas mulheres russas. E já somos populares há 25 anos e esperamos continuar fazendo isso. É realmente emocionante ir ao Brasil finalmente para fazer um show e ver nossos fãs.
g1 – Olhando para trás, para os anos 90 e 2000, quais seriam as maiores mudanças nas vidas de vocês e o que permanece igual?
Julia – Não temos mais 15 anos. Temos quase 41, somos mães. Nossa parte interna mudou, nossa alma mudou. Estamos mais calmas, mais… [começa a falar russo e pede ajuda para Lena]
Lena – Nos tornamos mais experientes, mas na verdade continuamos as mesmas. Eu sou a Lena, a Julia é a Julia e nós somos o t.A.T.u. Isso não muda. Acho que toda vez que subimos no palco, voltamos aos 16 anos de novo. Nos divertindo fazendo o show, é incrível.
Lena Katina e Julia Volkova nos tempos de t.A.T.u.
Divulgação
Julia – Acho que estamos sentindo mais agora no palco do que antes porque, quando éramos jovens, era todo dia concerto, concerto, concerto, país diferente, país… Nós não estávamos sentindo mais… [começa de novo a falar russo]
Lena – Paramos de apreciar o que tínhamos… Agora nós vivemos no palco. Sentimos uma à outra, sentimos as pessoas ao redor. Podemos parar e pensar, parar e entender, sentir. Então eu só aprecio o que está acontecendo sem a pressa de antes.
g1 – Vocês mostram seus vídeos e músicas para os seus filhos? O que eles sabem sobre vocês como artistas?
Lena – Mostramos tudo, absolutamente tudo. Quando vou buscar o mais velho na escola ou no jardim de infância, as crianças ficam cantando para mim “Not Gonna Get Us” ou “All The Things She Said”, as mães deles são fãs… Temos diferentes tipos de fãs, de 2 anos até os 90 anos. Muitos fãs cresceram conosco e agora estão por volta dos 40 anos, mas há fãs jovens, de uns 18, 16 anos. Eles sabem tudo, viram os vídeos, conhecem as músicas e vão aos nossos shows.
g1 – Sobre a sonoridade, vocês acham que a música do t.A.T.u. mudou ou ficou mais eletrônica com o tempo?
Lena – Acho que se tornou mais eletrônica, talvez. Temos sons eletrônicos, mas tínhamos muitos instrumentos ao vivo. Agora talvez tenha ficado um pouco mais eletrônico com essas coisas de tecnologia que não entendo muito bem. Mas nossa música foi escrita por pessoas e vamos continuar fazendo isso. Sucesso é algo com o qual vivemos pelos últimos 25 anos. Já foi gigante, já foi um pouco menos, mas sempre fomos bem-sucedidas. Espero que a gente sempre seja.
g1 – Qual o legado do t.A.T.u. para a música pop?
Julia – [começam a conversar em russo] t.A.T.u. significa amor. É isso, significa amor.
g1 – Entendi que vocês estão falando das letras [Lena concorda], mas e o que dizer da sonoridade?
Lena – O som é pop rock, é o nosso estilo. É o estilo t.A.T.u. É dramático, misturado com sabe Deus o que, é realmente difícil de explicar. Temos músicas mais pop, músicas dançantes, mas a maioria da nossa música é bem séria, significativa e dramática, com um som característico.
Lena Katina e Julia Volkova t.A.T.u. no começo da dupla
Divulgação
g1 – Falando em pop rock, vocês devem cantar por aqui a versão de ‘How soon is now’, do The Smiths. Como foi gravar essa música?
Lena – Eles criaram praticamente uma música totalmente nova a partir dela… essa versão é inacreditável. É aquela exceção em que a cover não é nem um pouco pior que a original. Acho que demos uma vida nova à canção.
g1 – O que fez vocês decidirem voltar e estarem juntas de novo depois de tanto tempo?
Julia – Bem, nós recebemos muitos pedidos de fãs que queriam nosso show, muitas pessoas que sentiam falta e mandavam mensagens para nossos empresários. Daí nos encontramos e conversamos depois de uns 10 anos ou mais. Por que não? Temos muitas pessoas e amigos ao redor do mundo. Estamos felizes de vê-los. Foi a melhor hora. Cada época tem uma emoção diferente.
g1 – Poderiam compartilhar alguma memória de bastidor das primeiras turnês, algo que os fãs talvez não saibam?
Julia – Não sei, talvez quando “All The Things She Said” (em russo) passou na TV. Um dia, de manhã cedo, eu estava tomando café com a Lena no apartamento dela. Estava ligado na MTV. O telefone de casa não parava de tocar o tempo todo. Fomos dormir, daí acordamos e éramos estrelas. Nós ficamos lá nos abraçando, pulando e gritando: “Lena, nossos sonhos se tornaram realidade!”. Nós nos conhecemos desde pequenas, de um grupo infantil russo… e aquilo estava acontecendo, finalmente.
g1 – Vocês sentiram algum tipo de pressão para seguir emplacando hits?
Lena – A gente não é obrigada a lidar com isso. Talvez isso tenha vindo com o tempo, mas a gente não presta mais atenção em quem critica, a gente não lê os comentários dos “haters”. Somos parte disso, dessa coisa da fama, faz tanto tempo que é como se a gente estivesse vacinada contra isso.
t.A.T.u em São Paulo
Quando: 16 de maio de 2026 (sábado)
Onde: Komplexo Tempo (Av. Henry Ford, 511 – Parque da Mooca)
Ingressos no Sympla
Preços: Pista Premium: R$ 260 (Meia) e R$ 520 (Inteira); Pista Comum: R$ 185 (Meia) e R$ 370 (Inteira); Mezanino: R$ 200 (Meia)e R$ 400 (Inteira)
Classificação: 16 anos
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