Quando se pensa em exportação no Brasil, os primeiros produtos que vêm à mente são commodities como a soja ou proteínas animais. Mas a Centria Partners, boutique de M&A especializada em tecnologia e mídia, aponta para uma nova tendência do mercado brasileiro: a exportação de propriedade intelectual.
“O Brasil é um hub de novos nomes, novas propriedades intelectuais que surgem a cada dia, a cada momento”, afirma Patrick Cannell, sócio e diretor-geral da Centria Partners. “Tem muito capital estrangeiro sendo alocado no Brasil, seja por estratégicos ou fundos”.
Dos mais de 90 negócios assessorados pela boutique, entre 60% e 70% foram vendas completas de empresas. E um dado revela o tamanho do apetite externo pelo que o Brasil produz: 60% a 65% dessas operações foram transações cross-border, segundo o executivo.
Para entender o que a Centria enxerga nessa mudança, vale começar pela razão pela qual a boutique foi criada, há cerca de 15 anos. “A gente nasceu para precificar o que muitas vezes não conseguimos colocar num balanço patrimonial”, explica Patrick, citando como exemplo ativos intangíveis, como tecnologia e propriedade intelectual.
Ele menciona o caso da Netflix, que não tem como ativo mais valioso seus estúdios, mas sim o seu catálogo. Ou seja, a propriedade intelectual que a empresa detém e que gera receita de forma recorrente ao redor do mundo.
A mesma lógica se aplica ao mercado musical. Quando fundos levantam bilhões para adquirir direitos de artistas, não estão comprando equipamentos nem estrutura física. Estão comprando royalties futuros, isto é, o direito de ser remunerado por aquela propriedade intelectual cada vez que ela for reproduzida num streaming, usada num comercial ou licenciada para qualquer outra finalidade. “Eles não estão comprando uma fábrica”, resume. “Isso traz um componente que é um ativo com fluxo de caixa recorrente, previsível e que vai se valorizar ao longo do tempo.”
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O que é que o Brasil tem
O Brasil sempre foi reconhecido por sua capacidade criativa. Mas Patrick acredita que o país está entrando em uma fase mais madura, não apenas gerando cultura e tecnologia para consumo interno, mas estruturando propriedades intelectuais que atraem capital institucional global.
“O Brasil tem muita criatividade, tem uma economia que muitas vezes surge do informal e vai para o formal”, diz.
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A Centria opera em tecnologia, com histórico relevante em fintechs, e em mídia e entretenimento – setores que Patrick enxerga como as maiores teses de criação de valor para a próxima década. Em tecnologia, o Brasil já demonstrou que é capaz de criar soluções que competem globalmente, como o Nubank. Em mídia e entretenimento, o fluxo de novos nomes e propriedades também segue intenso, segundo ele.
“Tudo que envolve tecnologia tem uma aderência muito grande para o comprador internacional”, afirma. “A tecnologia é mais agnóstica e não tão relacionada com o cenário macroeconômico, porque é uma solução que as pessoas precisam”.
O mercado de M&A em 2026
Para Patrick, o cenário tem sido favorável para o mercado de fusões e aquisições, e a expectativa é de um 2026 melhor que 2025. “O Brasil é uma economia muito pujante, muito grande dentro da América Latina como um todo e é um destino que não dá para ficar de fora de alocação de capital”, diz.
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Um fator que contribui para esse otimismo é o arrefecimento do descompasso entre os valuations que as empresas pediam e o que compradores estavam dispostos a pagar. Por outro lado, Patrick afirma que o mercado passou a precificar melhor ativos que antes eram subvalorizados, como potenciais escaláveis e o valor futuro da tecnologia, exatamente o tipo de ativo intangível em que a Centria se especializou.
Atendendo tanto a estratégicos quanto fundos de investimento, a Centria aposta no relacionamento para fazer bons negócios. Para isso, a boutique desenvolveu uma abordagem que chama de “metodologia de copiloto”. Em vez de entrar na jornada do empreendedor apenas no momento da venda, a casa costuma se envolver um ou dois anos antes para preparar a empresa para a transação.
“A gente entende que tem muitas vezes uma disfunção clássica no modelo do mercado brasileiro, onde você tem um empreendedor genial, mas ele geralmente está sozinho na hora de negociar com capital institucional”, explica Patrick. O trabalho envolve construção de tese, valuation, estruturação do deal e fechamento de lacunas de governança e processos internos, garantindo que a empresa chegue à negociação com as estruturas, as pessoas e os fluxos corretos.
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“Isso está muito ligado à palavra relacionamento”, conclui Patrick. “A gente tem esse relacionamento tanto com os nossos clientes quanto com o lado de fora para garantir o melhor momento e a melhor operação possível para aquele empreendedor, para aquele comprador, dentro daquela janela.”
Conteúdo produzido por Startups.
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