As eleições parlamentares na Hungria, marcadas para este domingo (12), se configuram como o maior desafio político do primeiro-ministro Viktor Orbán desde que o partido conservador União Cívica Húngara (Fidesz) chegou ao poder, em 2010. O novato Partido Respeito e Liberdade (Tisza), comandado pelo antigo aliado Péter Magyar, lidera as pesquisas independentes de intenção de voto desde o ano passado e ampliou a vantagem nos últimos levantamentos.

Caso se concretizem as projeções de que o Tisza conquistará cerca de dois terços dos votos, o projeto de “democracia iliberal” que Orbán vem construindo nos últimos 16 anos pode estar com os dias contados.

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Esse modelo combina um alto grau de disciplina social com a redução dos níveis de dissidência pública, por meio de medidas que restringem ou até eliminam controles sobre os poderes Executivo e sobre a mídia, encolhendo o espaço da oposição no debate público. Na economia, é uma gestão marcada por forte ingerência estatal e por bloqueios a determinações da União Europeia.

Orbán também ajudou a redesenhar as leis eleitorais da Hungria de forma que o Fidesz conseguiu manter sua hegemonia nos ciclos anteriores. O número de cadeiras no Parlamento foi reduzido de 386 para 199, e adotou-se uma estrutura híbrida, com 106 deputados escolhidos em distritos uninominais e 93 por meio de um sistema proporcional nacional.

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Com isso, quem vence a eleição — até aqui, o próprio Fidesz — consegue uma maioria ampla mesmo em disputas mais equilibradas. O feitiço, no entanto, pode se voltar contra o feiticeiro em 2026. Diante de denúncias de corrupção, insatisfação com os resultados econômicos e uma crise moral originada pelo acobertamento de um caso de pedofilia em um orfanato, o partido no poder viu sua aprovação ruir em pouco mais de dois anos.

A aura reformadora que o próprio Orbán ostentou em 2010 agora é ocupada por Péter Magyar que, embora seja um político de centro-direita, se opõe ao euroceticismo marcante do atual primeiro-ministro.

As últimas projeções mostram que o Tisza pode alcançar até dois terços dos votos, elegendo de 138 a 143 deputados. O Fidesz ficaria com algo entre 49 e 55 assentos, e o partido de extrema-direita Movimento pela Pátria (Mi Hazánk) teria apenas uma pequena bancada no Parlamento.

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Além disso, o Tisza é o partido mais popular entre os jovens húngaros: três quartos dos eleitores com menos de 30 anos pretendem votar na sigla, assim como 63% dos que têm entre 30 e 40 anos. O apoio ao Fidesz nesses dois grupos etários é de apenas 10% e 17%, respectivamente.

A política externa também entrou em campo na eleição. Donald Trump enviou nesta semana seu vice, JD Vance, para reforçar o apoio ao atual primeiro-ministro. Amigo de Vladimir Putin, Orbán espalhou pelo país cartazes que associam o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky tanto ao seu adversário direto, Péter Magyar, quanto a Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.

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Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da fonte.

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