MADRI, 27 Mai (Reuters) – A Espanha ⁠deve agir com muito cuidado ao aprofundar seu ⁠relacionamento com a China para manter o país asiático fora de ‌setores críticos, como dados, defesa e telecomunicações, onde Pequim busca dominar, disse Benjamin Leon, embaixador dos Estados Unidos na Espanha, nesta quarta-feira.

Em um de ‌seus primeiros discursos públicos desde que assumiu o cargo em fevereiro, Leon levantou a preocupação de que contratos públicos tenham sido concedidos a empresas que trabalham com a Huawei, a gigante chinesa de tecnologia que Washington diz representar ‘um risco inaceitável’ para a segurança nacional dos EUA.

‘Não acho que isso atinja o ⁠nível ‌de segurança no qual a Espanha e os Estados Unidos estão trocando (informações)’, ⁠disse ele. ‘Se a Espanha garantir que a China seja mantida fora de áreas críticas, por que não negociar (com Pequim)? Mas vejo que eles estão começando a penetrar em áreas críticas e a Espanha deve ter muito cuidado com isso.’

‘A China busca dominar tecnologias essenciais. Ela usa práticas ​comerciais injustas e coerção econômica para expandir sua influência estratégica. E isso representa riscos reais para nossas cadeias de suprimentos, nossa pesquisa e ​nossa segurança’, disse ele, conclamando a Europa a proteger sua pesquisa, propriedade intelectual e valores democráticos.

A China negou em várias ocasiões as acusações de Washington de práticas injustas e espionagem.

As relações entre o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, e o governo esquerdista da Espanha têm sido ‌tensas devido à recusa de Madri em aderir a ​um compromisso assumido pelos membros da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de aumentar os gastos com defesa para 5% do PIB e permitir que os Estados ⁠Unidos usem suas bases ​militares e espaço aéreo ​na guerra contra o Irã.

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Em outubro, Trump sugeriu que poderia aplicar sanções econômicas contra a Espanha ⁠por não aumentar os gastos com defesa.

Leon ​disse que a Espanha havia ‘frustrado’ Trump e disse que a decisão sobre como proceder é exclusivamente do presidente, mas minimizou as chances de sanções econômicas ou militares dos ​EUA.

‘Do meu ponto de vista, sempre haverá um compromisso entre a Espanha e os Estados Unidos… De uma forma ou de ​outra, encontraremos maneiras de ⁠continuar trabalhando e melhorando nosso relacionamento’, disse ele.

Ele descreveu as bases navais espanholas e norte-americanas de ⁠Rota e Moron, no sul da Espanha, como ‘bases fundamentais para nossa defesa coletiva’ – em meio a temores de que a redução das tropas norte-americanas na Europa possa afetar as instalações espanholas.

‘Vivemos em tempos muito perigosos. A Europa deve estar preparada para se defender. Os EUA estarão ao seu lado’, disse ele.

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Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da fonte.

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