A Vista Capital está apostando que os juros reais brasileiros vão cair nos próximos anos, com ou sem ajuste das contas públicas. Para se posicionar, a gestora do CIO João Landau montou na Bolsa uma posição desenhada para ganhar justamente no pior cenário, o de um descontrole fiscal que corroa a âncora de preços do país.
O instrumento escolhido são as ações de shopping centers, que a Vista vê como uma forma de carregar juros reais de duration média. A tese, descrita em carta mensal divulgada na segunda-feira (15), se escora no balanço dessas empresas: dívida em boa parte atrelada ao CDI, e receita corrigida pelo IGP-M.
Numa perda de âncora nominal, com a inflação acelerando, o faturamento subiria com os preços enquanto o custo real da dívida seria erodido. E os ativos físicos, os principais shoppings do país, preservariam valor real.
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Para a casa, “os juros reais brasileiros vão ser reduzidos, por bem ou por mal”, seja pelo ajuste ortodoxo já conhecido, seja por uma dominância fiscal ainda não vivida na prática. O que tornaria atualmente o CDI “o ativo mais arriscado do Brasil”.
“As caudas parecem gordas demais no ambiente fiscal, de tal forma que num ajuste profundo o CDI embute um risco de reinvestimento de um lado e, do outro, o risco de
um calote inflacionário, observado rapidamente em 2021/22″, explica.
A Vista lembra o caso argentino no governo Alberto Fernández. A bolsa em moeda local subiu mais de 200 vezes e a moeda caiu mais de 100 vezes, enquanto o equivalente ao CDI argentino ficou muito para trás.
Vendida em Petrobras, comprada em Argentina
A posição em shoppings vem com uma venda em Petrobras (PETR3; PETR4), responsável por grande parte das perdas do fundo em 2026. A tese é a de um petróleo em desequilíbrio, com excesso de oferta antes do conflito no Oriente Médio, e pressão que, na opinião da gestora, deve aumentar com o crescimento da Venezuela e a alta de produção da OPEP.
Do lado da demanda, a Vista lembra que crises de oferta antecipam a troca da matriz energética e destroem consumo de forma duradoura. O resultado, para a casa, é um cenário “profundamente baixista” para o petróleo.
O fundo carrega ainda uma pequena venda em câmbio, como proteção contra a perda de âncora nominal. A aposta contra o real é pequena porque o cenário base da gestora para a eleição de 2026 é de alternância de poder.
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Completam a carteira Argentina e urânio. No caso argentino, a Vista segue otimista e considera exagerado o temor com a queda de popularidade de Milei.
Reestruturação
O movimento vem após mais um mês duríssimo para os fundos da casa, com o mais longevo Vista Multiestratégia recuando 8% só em maio, alcançando 24,3% negativos em 2026. Os outros fundos da casa também estão no vermelho.
Na carta, a Vista admite o resultado abaixo do esperado e classifica as perdas como algo perto de um desvio padrão, o que considera atípico para o seu histórico. Como consequência, é mais uma gestora a anunciar reestruturação
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“Fizemos mudanças estruturais, tanto em equipe quanto em ferramentas de gestão para buscar o DNA que nos ajudou a construir a performance nos primeiros 10 anos de empresa”, diz a gestora na carta. “Certos de que ainda expostos à volatilidade de curto prazo, tais mudanças serão extremamente positivas para que consigamos observar as teses desenrolarem no longo prazo – teses, que por sinal, se provaram corretas, como Argentina, urânio e até as ações brasileiras.”
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