Um dos nomes considerados pelo PT para representar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais, o ex-vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) tem no histórico político diversos momentos de oposição ao partido. Entre eles, a assinatura de um pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Para se contrapor ao passado, o pré-candidato ao governo estadual cita o exemplo de Geraldo Alckmin, antigo adversário de Lula e hoje vice-presidente da República, e também a oposição que fez a Jair Bolsonaro.

Presidente da Câmara Municipal de BH entre o início de 2023 e o fim de 2024, Azevedo começou na vida política aos 19 anos, em 2005, quando se filiou ao PSDB. Dali a alguns anos, criou a “Turma do Chapéu”, movimento da juventude tucana que buscava modernizar a militância do partido e que se engajou nas campanhas de Antonio Anastasia para o governo e Aécio Neves para o Senado em 2010.

Em 2016, quando Dilma tentou nomear Lula para a Casa Civil a fim de dar foro privilegiado ao então ex-presidente, Azevedo, que é advogado, apresentou pedido de impeachment da petista. Hoje, ele argumenta que também fez o mesmo com Jair Bolsonaro.

— Redigi pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro, a pior coisa da política brasileira, a pessoa mais nefasta a ocupar a Presidência da República. Fui expulso do meu partido (Patriota) por criticá-lo abertamente, aliás — diz.

Movimentos

O pré-candidato teve conversas com diversos petistas de peso nas últimas semanas, incluindo o presidente nacional, Edinho Silva.

— Nós temos conversado com o Gabriel Azevedo, que é uma liderança do MDB. Temos alianças com o MDB em estados importantes, como Alagoas e Pará. Mas também estamos dialogando com o PSB — afirmou Edinho em entrevista a Valor ontem.

A maior entusiasta da aliança é a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, pré-candidata ao Senado, que teme ser convocada pelo PT para disputar o governo caso a sigla opte por candidatura própria. Entre quadros mais influentes na direção estadual, contudo, a resistência ao ex-vereador é maior.

Outro discurso de Azevedo para minimizar o peso do passado na eventual parceria com o partido tem Alckmin, que disputou a eleição de 2006 contra Lula pelo PSDB, como peça central.

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— Alckmin é vice-presidente. Isso representa que o futuro é mais importante que o passado. Não faço política pelo retrovisor — alega, antes de citar movimentos do PT local contra ele na Câmara de BH. — Os vereadores do PT na Câmara Municipal votaram duas vezes pela abertura de processos de cassação contra o meu mandato. Mas, assim como Juscelino Kubitscheck, “não nasci para ter ódio, nem rancores, nasci para construir”.

Quem defende a parceria com Azevedo cita nos bastidores outros argumentos para apaziguar as divergências. Um deles é que o favorito de Lula para assumir a empreitada mineira, o senador Rodrigo Pacheco (PSB), também foi a favor do impeachment de Dilma. Apontam ainda que um sobrinho-neto da ex-presidente, o vereador Pedro Rousseff, é hoje entusiasta do apoio.

No PT mineiro, há insatisfação com a insistência de Lula por muito tempo em Pacheco, que deu vários sinais de que não desejava concorrer. Com a desistência definitiva a poucos meses da eleição, o partido corre contra o tempo para definir a tática no segundo maior colégio eleitoral do país. Em entrevista ao Valor publicada ontem, Edinho Silva sinalizou que o martelo tende a ser batido até semana que vem.

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Além de Azevedo, duas opções são ventiladas: apoiar alguém do PSB, que tem o ex-presidente da Fiesp Josué Gomes e o ex-procurador-geral Jarbas Soares Jr. como opções, ou lançar um nome próprio, o que esbarra na falta de quadros que sejam ao mesmo tempo viáveis eleitoralmente e interessados em entrar no jogo.

Antes, o PT chegou a sondar o ex-prefeito de BH Alexandre Kalil (PDT), mas ainda existem desavenças entre ambas as partes depois da aliança na eleição de 2022. Kalil se sentiu pouco prestigiado, enquanto aliados de Lula reclamam do temperamento do mineiro.

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Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da fonte.

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