
A estratégia de comunicação adotada pela esquerda e pela direita nas redes sociais pode ajudar a explicar por que um dos campos políticos tem conseguido maior alcance e engajamento nas plataformas digitais.
Essa é a avaliação do cientista de dados Renato Dolci, diretor de Dados da Timelens, que participou da edição especial do programa Mapa de Risco, do InfoMoney, dedicada às estratégias das campanhas eleitorais para 2026, que foi ao ar nesta sexta-feira (17).
Ao comentar um estudo conduzido por sua equipe sobre a comunicação política nas redes sociais ao longo de 2024, Dolci afirmou que a esquerda pulveriza sua mensagem em centenas de assuntos, enquanto a direita concentra seus esforços em poucos temas.
“Eu conduzi um estudo recente que mostrava um pouco isso. Quando a gente olha para o arcabouço de palavras que a esquerda discute no Brasil através das suas comunicações em redes sociais, encontramos 476 temas diferentes sendo discutidos. Quando a gente olha para a direita brasileira, são 68 temas. Essa diminuição faz com que ela consiga martelar muito mais determinados conteúdos. E a internet é um espaço de constância, de falar a mesma coisa continuamente”, disse.
Segundo o especialista, a concentração da comunicação faz com que a direita consiga organizar melhor sua narrativa e explorar assuntos que despertam maior identificação do público.
“Há muito mais aglutinação temática e, consequentemente, mais concordância sobre o que deve ser comunicado. Essa linha é muito voltada para debates culturais, de moralidade e sobre a forma de entender a sociedade. Esses conceitos já carregam um simbolismo para quem os acompanha. Já quem tenta responder precisa explicar, contextualizar e desconstruir. Isso é muito mais difícil em uma rede social em que as pessoas assistem a vídeos de 20 ou 30 segundos”, afirmou.
Para Dolci, a própria dinâmica das plataformas favorece esse tipo de estratégia. Segundo ele, conteúdos baseados em confronto costumam receber mais distribuição dos algoritmos do que mensagens propositivas.
“Quando o conteúdo é mais direto, mais combativo e baseado na contraposição, ele acaba sendo privilegiado pelo algoritmo. Não porque exista um algoritmo de esquerda ou de direita, mas porque esse é o formato sobre o qual a internet foi construída. Um conteúdo de crítica repercute, em média, sete vezes mais do que um conteúdo positivo. As redes funcionam muito mais pelo barulho do que pelo consenso”, afirmou.
Apesar da vantagem observada nas redes sociais, Dolci ressaltou que isso não significa o fim das campanhas tradicionais. Na avaliação dele, candidatos com forte capital político ainda conseguem transformar entrevistas, agendas públicas e aparições na imprensa em repercussão digital.
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“A direita domina muito melhor o que eu costumo chamar de ‘coreografia do digital’. Existe um modelo e uma forma de produzir esse tipo de conteúdo, além de militâncias mais organizadas. Mas isso não exclui a importância das estruturas tradicionais. No caso do presidente Lula, por exemplo, qualquer entrevista repercute em todos os lugares, seja nas redes sociais ou na imprensa, justamente pelo peso político que ele acumulou ao longo da trajetória”, concluiu.
O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
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