Capa do álbum ‘Carnaval – The songs were so beautiful’, de Antonio Adolfo
Ilustração de Elifas Andreato
♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR
♬ Entrei no clima da folia jazzística de Antonio Adolfo. Reouvi o álbum “Carnaval – The songs were so beautiful” (2025), lançado em julho por este excepcional pianista e arranjador carioca com capa que expõe a maestria de Elifas Andreato (1946 – 2022) para criar ilustrações para a arte de discos.
Não sou do jazz (exceto o das grandes cantoras do gênero), mas aprecio músicos que exercem a liberdade do jazz sem exibicionismo e com conhecimento de causa. É o caso de Adolfo. No álbum, o artista remexe na memória afetiva da infância, época em que ouvia, fascinado, sambas, marchas e frevos recorrentes no cancioneiro carnavalesco.
Com a sabedoria dos 79 anos, festejados em 10 de fevereiro, Adolfo remexe nesse repertório. Na boa companhia de Danilo Sinna (sax alto), Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn), Jorge Helder (baixo), Marcelo Martins (flauta e sax tenor), Rafael Barata (bateria e percussão), Rafael Rocha (trombone) e Ricardo Silveira (guitarra), músicos que formam com Adolfo um octeto afinado, o pianista dá contornos jazzísticos a temas como o samba “É com esse que eu vou” (Pedro Caetano, 1947) e o frevo “Vassourinhas” (Mathias Rocha e Joana Batista Ramos, 1949), redesenhado harmonias, mas sem desfigurar as melodias.
A marcha “Oba” (Oswaldo Nunes, 1962) – hino do bloco carioca Bafo da Onça – é a única música que soa mais distante do formato original, mas ainda assim é reconhecível aos ouvidos foliões.
Mesmo fazendo música instrumental, o pianista parece estar atento ao sentido das letras, rasgando a fantasia de alegria que envolve tradicionalmente “Mal me quer” (Cristóvão de Alencar e Newton Teixeira, 1940), marcha de tom melancólico, para citar somente um exemplo de afinação entre música e letra no álbum “Carnaval – The songs were so beautiful”.
Ora imprimindo mais romantismo e serenidade jazzy, como na marcha “A lua é dos namorados” (Armando Cavalcanti, Kléssius Caldas e Brasinha, 1960), ora seguindo a cadência extrovertida do samba “Vai passar” (Francis Hime e Chico Buarque, 1984), cujo enredo político andou fazendo sentido em folias recentes, Antonio Adolfo sabe brincar o Carnaval com a liberdade do jazz neste álbum que resiste além dos dias de folia para quem aprecia o virtuosismo deste grande músico.
Recomendo. Até porque as músicas dos antigos Carnavais eram (e continuam) tão lindas.

________________________

__________________

_____________

_______

___

Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da fonte.

Compartilhe com quem também gostará desse texto

Artigos Relacionados

Rio espera receber 6,8 milhões de foliões apenas em blocos de rua

Rio espera receber 6,8 milhões de foliões apenas em blocos de rua

Rei do Surdos: os tambores de Abará ditam o ritmo da folia timbaleira

Rei do Surdos: os tambores de Abará ditam o ritmo da folia timbaleira

Produtor Thiago Pugas fala de trajetória ao lado de Carlinhos Brown

Produtor Thiago Pugas fala de trajetória ao lado de Carlinhos Brown

Top Trends