
Mac DeMarco para o disco ‘Guitar’
Divulgação
Mac DeMarco não é mais aquele roqueiro indie com shows doidões. É o que ele diz, pelo menos. Aos 35 anos, ele se define como um “homem velho”, vivendo no meio do mato em uma área rural no Canadá.
Low-profile, o canadense é uma anomalia para o bem: consegue vender shows e discos sem ter que se vender no caminho (ele mal usa as redes sociais, por exemplo). No álbum “Guitar”, lançado em 2025, ele aposta em um som mais caseiro, orgânico e introspectivo que nunca. É uma espécie de Bob Dylan de Vans orgulhosamente surrados.
Entre 3 e 16 de abril, ele fará uma série de shows pelo Brasil, passando por Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Recife, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. E está feliz por incluir cidades menos visitadas por artistas internacionais.
“Eu também venho de um lugar no Canadá onde as bandas demoravam a chegar, então eu gosto de ir a esses lugares. É uma aventura para nós. Esses são os shows que você acaba lembrando, não a nona milésima vez que você toca em Nova York”.
Em entrevista ao g1, Mac disse que está curioso com a volta ao Brasil, a primeira desde o Lollapalooza em 2018. E eu tive a oportunidade de contar que alguém escreveu, nas paredes da UFMG, algo como “Mac DeMarco, lave suas partes” (em versão um pouco mais explícita). A isso, ele respondeu:
“Fique sabendo que acabei de sair do banho [risos]. Ao contrário da crença popular, eu não cheiro mal. Antigamente as pessoas achavam isso, mas eu só cheiro a cigarro. De qualquer forma, elas foram lavadas. Meus tênis podem não estar em bom estado, mas garanto que não cheiram mal.”
Shows ‘menos selvagens’
Fui a um show de Mac em 2017, na Holanda. Teve crowdsurfing, sutiãs e baseados arremessados no palco, que a banda acabou acendendo (era a Holanda, afinal). Aqui no Lolla, Mac fumou cigarro, plantou bananeira e mostrou a barriga.
Perguntei a ele por que os shows tinham essa energia caótica, mesmo quando ele está cantando melancolicamente sobre solidão e o medo de ficar parecido com o pai.
“Minhas músicas são relaxantes, mas talvez tenham um tom perturbador sublimina. Talvez essa colisão seja o suficiente para enlouquecer as pessoas. Antigamente, a gente trazia a festa e as pessoas respondiam”.
Mac DeMarco durante show no Lollapalooza 2018, em São Paulo
Marcelo Brandt/G1
Mas ele garante que, dessa vez, a proposta não é a festa. “Os shows que vocês verão no Brasil não são mais exatamente assim. Não tem mais tanto crowd surfing. Estou focando muito mais nas minhas músicas do que em fazer covers hoje em dia”.
A parte dos covers é importante, porque tá aí alguém que sabe brincar com isso. Quem foi ao Lolla em 2018 se lembra que Mac se apresentou ao mesmo tempo que o headliner Red Hot Chili Peppers. Em tom de brincadeira, ele tocou o riff de “Can’t stop” várias vezes e até arriscou um cover inteiro de “Under The Bridge”, com cervejinha na mão.
Sanduíche de pernil e Mac Miller
Daquela vinda ao Brasil, Mac se lembra carinhosamente do sanduíche de pernil na lanchonete Estadão, em São Paulo. Ele mencionou esse lanche durante o show e até em entrevistas dadas anos depois. E reforça: “Voltarei ao Estadão o máximo possível para comer aquele sanduíche”.
Mac também sabia aproveitar uma vinda para festivais. Junto de colegas de line-up como Anderson .Paak, ele passou por Brasil, Chile e Argentina marcando presença em “festas grandes e estranhas”. Palavras dele.
“Foi nessa viagem [à América do Sul] que conheci o Mac Miller, o que foi um privilégio. Acabamos em um estúdio de gravação”.
Os Macs (Miller e DeMarco) ficaram bem amigos na época, entrando em estúdio e tocando juntos várias vezes. Miller morreu meses depois, em setembro de 2018, uma perda muito sentida por DeMarco, .Paak e vários músicos em alta naquela época. Ele foi homenageado na música “Heart to Heart” do canadense.
Mac DeMarco em foto do disco ‘Guitar’
Divulgação
Rockstar sóbrio?
O mesmo Mac que entrou de cerveja na mão no Lollapalooza 2018 (e chegou a tocar bateria sem abrir mão da garrafa) está sóbrio há anos. Durante a entrevista, parou para tomar um chazinho. Em todos os sentidos, está bem diferente do fanfarrão que sempre pareceu ser.
“Acho que muitas emoções eram abafadas pelo abuso de substâncias no passado. Enfrentar o cansaço das viagens e o palco ‘sem filtro’ pode ser insano às vezes. Acordar sem ressaca e ser apenas um ser humano na turnê é legal, mesmo que eu sinta um ‘novo estilo de dor’. É bom estar sentindo algo, seja bom ou doloroso”.
É engraçado ouvir tudo isso de um artista que, por muito tempo, foi o maior representante dos hipsters festeiros. Até eles amadurecem, afinal. Em um artigo publicado em 2025, a revista “New Yorker” chamou Mac de “o último rockstar indie”. Ele não sabe se concorda.
“Se eu sou um rockstar? Não sei sobre isso. Quanto mais o tempo passa, mais percebo que não tenho ideia do que estou fazendo”.
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