Os comentários públicos do presidente Donald Trump sobre a guerra com o Irã refletem uma frustração crescente que ele tem comunicado em privado às pessoas ao seu redor, à medida que o conflito disruptivo se arrasta para um segundo mês sem uma estratégia clara de saída.

Trump disse a pessoas próximas que está irritado com membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e outros aliados, segundo pessoas familiarizadas com seu modo de pensar. Com a guerra se prolongando, Trump vê alguns parceiros como pouco dispostos a fazer o suficiente para ajudar a alcançar um fim decisivo para o conflito.

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Já o WTI, dos EUA, caiu 1,46%, fechando a US$ 101,38 por barril; em março, a alta foi de 51%, registrando o melhor mês desde maio de 2020.

O presidente tornou algumas dessas queixas públicas, conclamando os aliados na terça-feira (31) a “ir buscar o próprio petróleo”, apesar das ameaças iranianas que, na prática, fecharam o vital Estreito de Hormuz, o que fez os preços globais de combustíveis dispararem.

“Vocês vão ter que começar a aprender a lutar por si mesmos, os EUA não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá por nós”, escreveu ele nas redes sociais.

Trump tem alternado entre alegar progresso em conversas diplomáticas com Teerã e ameaçar intensificar os ataques, ao mesmo tempo em que se mostra cada vez mais insistente em obter um cessar-fogo.

O presidente percebe que a situação atual é insustentável, de acordo com outra pessoa familiarizada com seu pensamento, que pediu anonimato para discutir conversas privadas.

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A equipe do presidente sugeriu que reabrir Hormuz — por onde passa cerca de 20% do suprimento de petróleo transportado por via marítima — pode não ser uma condição necessária para encerrar a guerra.

Um desfecho desse tipo poderia acalmar investidores apreensivos que querem ver os constantes transtornos causados pela guerra desaparecerem. O índice S&P 500 ampliou os ganhos após uma reportagem da agência de notícias oficial do Irã dizer que o presidente do país estaria disposto a encerrar a guerra, subindo até 2,7%, na maior alta intradiária desde maio.

Mas deixar indefinida a situação do estreito — especialmente com Teerã exigindo soberania sobre a hidrovia como parte de um acordo — faria pouco para evitar futuras turbulências na economia global. O Brent disparou cerca de 60% em março, desde o início da guerra, e a gasolina nos EUA ultrapassou US$ 4 por galão pela primeira vez desde 2022.

Em conjunto, esses desdobramentos sugerem que a guerra que Trump iniciou com o Irã e Israel já não está mais sob seu controle exclusivo. Isso também representa um risco político para o presidente, que fez campanha prometendo não iniciar novas guerras e cujo Partido Republicano enfrenta a perspectiva de perder o controle do Congresso nas eleições legislativas de meio de mandato em novembro.

Ainda assim, é a dor econômica causada pela guerra que é a principal preocupação que pesa sobre a Casa Branca, já que autoridades de alto escalão estão cada vez mais preocupadas com o perigo que ela representa para parlamentares republicanos que disputam a reeleição, disse uma das pessoas.

“O presidente Trump sempre foi claro sobre as disrupções de curto prazo como resultado da Operação Fúria Épica. A trajetória econômica de longo prazo da América, porém, permanece sólida, com o governo focado em implementar a agenda econômica comprovada do presidente de cortes de impostos, desregulamentação e abundância de energia”, disse o porta-voz da Casa Branca Kush Desai em comunicado. “Uma vez que os objetivos da Operação Fúria Épica tenham sido alcançados e essas disrupções de curto prazo tenham ficado para trás, os norte-americanos podem ter certeza de que a agenda do presidente vai liberar o histórico crescimento de empregos, salários e economia que eles viram durante o primeiro governo Trump.”

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Críticos acusam os EUA de subestimarem a dimensão e a duração da disrupção nos fluxos de energia decorrentes do conflito. Trump e sua equipe, porém, têm tentado separar a ameaça histórica que o Irã e seus grupos aliados representam para os EUA e a região do impacto da guerra sobre o transporte marítimo. Como os EUA dependem menos do petróleo e gás do Oriente Médio do que a Ásia, ele também tem tentado transferir a responsabilidade para outros países mais dependentes da energia da região para ajudar a resolver o problema.

Trump disse na terça-feira que os EUA ajudaram a reduzir drasticamente a ameaça militar representada pelo Irã, o que, segundo ele, poderia criar as condições para que o fechamento do estreito se resolvesse por si só.

“Bem, acho que ele vai abrir automaticamente, mas minha posição é: eu oblitero o país. Eles não têm força nenhuma, e que os países que estão usando o estreito vão lá e o abram”, disse o presidente ao New York Post.

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Essa sugestão pode alarmar os estados do Golfo, que ficaram encorajados pela declaração de Trump na Fox News na semana passada de que os EUA continuariam protegendo os aliados do Golfo mesmo “se não ficarmos” no Irã.

“Eles provavelmente gostariam que ficássemos”, disse ele. “Se não ficarmos, vamos protegê-los. Sabemos, você sabe, eles têm sido muito bons.”

Embora os EUA possam, em tese, encerrar as operações militares contra o Irã e deixar Hormuz a cargo de uma força-tarefa de coalizão separada, isso reduziria a influência de Washington sobre Teerã — especialmente porque os aliados europeus e do Golfo estão interessados apenas em uma missão mais restrita, voltada a reabrir o estreito, e não em atingir objetivos estratégicos mais amplos por meio do bombardeio de ativos iranianos.

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Durante as negociações que antecederam a guerra atual, Trump deslocou uma quantidade sem precedentes de ativos militares — de aviões de guerra a grupos de ataque de porta-aviões — para o Oriente Médio, mas ainda assim não conseguiu fazer com que o Irã cedesse em certas exigências dos EUA, como abandonar seu programa de mísseis ou o apoio a grupos aliados como o Hezbollah ou o Hamas.

Os Emirados Árabes Unidos são o único país árabe do Golfo que declarou que vai integrar uma força naval para tentar reabrir Hormuz ou fornecer escoltas. O Bahrein trabalha em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU para conceder mandato a uma força-tarefa naval.

O secretário de Defesa Pete Hegseth citou a postagem do presidente nas redes sociais quando foi questionado, durante um briefing na manhã de terça-feira, se reabrir o estreito era um objetivo essencial da Operação Fúria Épica.

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Hegseth disse que reabrir o estreito “não é apenas um problema dos Estados Unidos da América” e afirmou: “No fim das contas, acho que outros países deveriam prestar atenção quando o presidente fala. Ele já provou que, quando fala, é porque algo importa. E ele está apontando: talvez seja hora de começar a aprender a lutar por si mesmo.”

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse em entrevista coletiva na segunda-feira que os EUA estavam “trabalhando para” reabrir totalmente o estreito, mas não listou isso como um objetivo militar central dos EUA quando questionada se Trump declararia vitória mesmo que a passagem pelo estreito continuasse lenta.

Leavitt reiterou que os objetivos centrais são destruir a marinha do Irã, destruir os mísseis balísticos iranianos, desmantelar a infraestrutura industrial de defesa do Irã e impedir que o país obtenha uma arma nuclear.

Falando na última sexta-feira, após se reunir com seus colegas do Grupo dos Sete, o secretário de Estado Marco Rubio também traçou uma linha entre os objetivos estratégicos da guerra e a reabertura do Estreito de Hormuz.

Seria inaceitável se, depois do fim da operação, o Irã continuasse ditando o controle do estreito e exigindo pagamento para atravessá-lo, disse Rubio. “O mundo inteiro deveria se indignar com isso. Nós somos impactados um pouco. Mas o resto do mundo é impactado muito mais.”

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Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da fonte.

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