Um grande ataque dos Estados Unidos à ilha que escoa a maior parte do petróleo bruto do Irã está aumentando o temor de novas interrupções na oferta da região, pressionando ainda mais os mercados de petróleo e gás, já abalados após duas semanas de guerra no Oriente Médio.

O presidente Donald Trump disse em publicação na Truth Social, na sexta-feira, que os Estados Unidos bombardearam alvos militares na ilha Kharg, no Golfo Pérsico, mas preservaram a infraestrutura petrolífera. Ele alertou os líderes iranianos de que pode rever imediatamente essa decisão caso o país interfira na passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.

Em resposta, o Irã afirmou que qualquer ataque à infraestrutura de petróleo e energia levaria a retaliações contra instalações energéticas ligadas aos Estados Unidos na região. Um ataque com drone interceptado provocou um incêndio no terminal de exportação de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, no sábado, forçando a suspensão, mais cedo no dia, de todo o carregamento de petróleo bruto e derivados.

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Embora nenhum dos lados tenha informado evidências de danos à infraestrutura energética em Kharg, os ataques elevam os riscos para o petróleo em um conflito que já atingiu a produção e praticamente fechou o Estreito de Ormuz, fazendo os preços do petróleo subirem mais de 40%. A Agência Internacional de Energia afirmou nesta semana que a guerra criou a maior interrupção de oferta da história do mercado de petróleo.

O Irã depende fortemente de Kharg, por onde embarca cerca de nove em cada dez barris de suas exportações de petróleo, cuja maior parte vai para a China. Havia navios atracados no local no sábado, segundo um observador da indústria de petroleiros, enquanto a mídia iraniana afirmou que as exportações seguiam normalmente.

Dois petroleiros, um deles com capacidade para cerca de 2 milhões de barris, estavam atracados em Kharg horas após o ataque dos Estados Unidos, segundo a Tankertrackers.com, empresa especializada em acompanhar movimentos de navios por imagens de satélite.

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Ainda assim, o ataque marca uma intensificação da atuação dos EUA contra infraestrutura crítica e contra as capacidades defensivas em torno da principal ilha petrolífera iraniana.

“É Trump tentando escalar para desescalar”, disse Rachel Ziemba, pesquisadora sênior do Center for a New American Security. “O maior risco para o mercado de petróleo, e para a guerra, é saber se o Irã vai retaliar.”

Na ausência de novos ataques, o impacto sobre a oferta de petróleo pode ser limitado se os píeres de carregamento, os tanques de armazenamento e os oleodutos da ilha permanecerem intactos, escreveram analistas do JPMorgan Chase & Co., entre eles Natasha Kaneva, em relatório divulgado após o ataque. Nesse cenário, a capacidade de exportação do país ficaria em torno de 1,5 milhão a 1,7 milhão de barris por dia.

Ainda assim, o episódio eleva o grau de risco de um conflito que até agora havia poupado em grande medida a infraestrutura petrolífera da região. O terminal de exportação de Ras Tanura e o polo de processamento de Abqaiq, na Arábia Saudita, além de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, são vistos como “nós energéticos críticos e altamente vulneráveis”, segundo os analistas do JPMorgan.

Em relatório anterior, datado de 8 de março, o banco afirmou que, se a ilha de Kharg saísse de operação, isso provocaria rapidamente cortes de produção no upstream e colocaria em risco até metade da produção de petróleo do Irã. O banco disse ainda que o país, antes visto como um dos últimos produtores do Golfo Pérsico a interromper a produção, poderia passar à frente de Kuwait e Emirados Árabes Unidos nesse processo.

“Suspeito que navios cargueiros ficarão hesitantes em carregar cargas quando a ilha está sob ameaça tão direta de ataque militar dos Estados Unidos”, disse Bob McNally, presidente da Rapidan Energy Group, consultoria sediada em Washington. “Isso é ainda mais verdadeiro se o Irã continuar interrompendo o tráfego no Estreito de Ormuz.”

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O tráfego pelo Estreito de Ormuz está praticamente paralisado há duas semanas, sem travessias confirmadas em qualquer direção até sexta-feira, segundo dados de rastreamento de embarcações compilados pela Bloomberg.

©️2026 Bloomberg L.P.

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Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da fonte.

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