
Tia Ciata (1854 – 1924) é o enredo da escola de samba Paraíso do Tuiuti no Carnaval carioca de 2027
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♫ ANÁLISE
♬ Talvez tenha sido mera coincidência o fato de o comunicado ter sido feito em 5 de março, três dias antes do Dia Internacional da Mulher, mas o anúncio de que Tia Ciata será o enredo da escola de samba Paraíso do Tuiuti no Carnaval de 2027 se afina com a luta pela igualdade feminina, pauta fundamental deste domingo, 8 de março, e de todos os demais dias do ano.
Inspiração para o enredo “Ciata – A mãe preta do samba”, escrito por Cláudio Russo e Luiz Antônio Simas para ser desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage, Hilária Batista de Almeida (13 de janeiro de 1854 – 10 de abril de 1924) foi a matriarca ativista do samba carioca.
Mãe de santo nascida em Santo Amaro da Purificação (BA), cidade do Recôncavo Baiano, Ciata migrou para o Rio de Janeiro (RJ) em 1876, aos 22 anos, e na zona central dessa cidade – em espaço situado na Praça Onze e conhecido como Pequena África – essa partideira de alta estirpe atuou como líder espiritual e musical, agregando sambistas e difundindo entre os negros cariocas o samba importado da Bahia e expandido no Rio com outras cadências.
Por Ciata ter tido atuação tão decisiva no fomento do samba, é inacreditável que somente em 2026, mais de 100 anos após a morte da partideira e quase um século depois do primeiro desfile das escolas de sambas (realizado em 1932), alguém tenha levado adiante e oficializado a ideia de transformar o legado de Ciata em enredo de agremiação carnavalesca.
Quituteira, ialorixá filha d’Oxum e sambista pela própria natureza festeira e destreza rítmica, Tia Ciata foi a anfitriã de casa já lendária, localizada na supracitada Praça Onze. Nessa casa, Ciata abriu portas para sambistas – negros em grande maioria, vindos das comunidades da área central da cidade do Rio de Janeiro – e incentivou a criação e a difusão do samba quando fazer e tocar samba ainda era sinônimo de vadiagem aos olhos racistas da polícia da época.
Agitadora cultural, Ciata organizava o movimento em rodas de samba das quais nunca ficava de fora. Consta nos autos informais que a mãe preta do samba dominava a arte do partido alto e evoluía com habilidade no passo do miudinho.
Os homens passaram para a história oficial como os primeiros bambas, tanto como ritmistas quanto como compositores, mas as mulheres também tiveram papel decisivo (e muitas vezes minimizado ou mesmo apagado) nessa história, caso sobretudo do legado da pioneira Hilária Batista de Almeida.
Imortalizada como a já mítica Tia Ciata, Hilária é nome que merece reverência todo dia, mas especialmente hoje, Dia Internacional da Mulher, pelo ativismo desbravador exercido junto aos primeiros bambas do Rio de Janeiro.
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