Com toda certeza o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, um homem de alto saber jurídico, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, não sabe o que é o dia a dia das pessoas numa favela do Rio de Janeiro ou comunidades desassistidas país afora.

Pobre de origem, o presidente Luiz Inácio da Silva, cujas agruras da infância pertencem a outro tempo, também não. A quase totalidade de deputados e senadores tampouco sabe o que é viver refém do crime na porta de casa.

Governadores e prefeitos convivem mais de perto com a tragédia da criminalidade que se espalha pelo Brasil, mas talvez não tenham tempo nem disposição para vivenciar o cotidiano dos cidadãos sitiados em territórios dominados. Ainda que tivessem a atenção necessária, não poderiam sozinhos dar conta do problema com suas polícias.

Uma vez fui ao complexo da Maré, zona norte do Rio, para conversar com estudantes de segundo grau sobre os anseios profissionais deles. Saindo, pedi para conhecer a comunidade, subir um pouco o morro. Não pude ir porque ouvi, chocada com a naturalidade do aviso, que depois das 18h era proibida a circulação de “estranhos”.

Não preciso dizer quem eram os donos do pedaço que ditavam a regra. Um pequeno e até suave exemplo da dominação frente à ameaça permanente de violência em que vivem famílias obrigadas a pagar ao crime os serviços que na zona sul pagamos ao Estado, substituído naquelas áreas pela força do fuzil. Ela é a lei que ainda impõe aos dominados a regra do silêncio.

A matança que se viu nesta semana no Alemão e na Penha é evidência trágica da falência dos métodos de combate a uma situação que não surgiu da noite para o dia nem nasceu por geração espontânea.

Há 42 anos o Rio vem se tornando, no verso preciso de Fernanda Abreu, o “purgatório da beleza e do caos”. Cartão postal de maravilhas, de inovações culturais, mas também da desgraça que se espalha até a Amazônia num país cuja soberania é solapada pelas facções criminosas, sob o olhar atordoado do Estado.


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O texto aborda a desconexão entre os altos escalões do governo e a realidade brutal vivida nas favelas do Brasil, como exemplificado pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o presidente Luiz Inácio da Silva. Ambos, apesar de suas trajetórias, não conhecem a rotina de quem vive sob a ameaça constante do crime. A situação é ainda mais complexa para governadores e prefeitos, que, mesmo lidando mais de perto com a criminalidade, não conseguem experimentar ou resolver plenamente as questões práticas enfrentadas pelos cidadãos nas comunidades dominadas por facções. A autora compartilha sua experiência ao tentar explorar a Maré e ser alertada sobre a proibição de circulação de “estranhos”, evidenciando como o convívio com a violência se tornou normativo. A recente escalada de violência no Alemão e na Penha destaca a falência das estratégias de combate ao crime, refletindo um panorama de um país onde o Estado é impotente diante da dominação das facções, um retrato do “purgatório” que é o Rio de Janeiro, onde coabitam beleza e caos em um cenário de desgraça persistente.

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Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da FONTE.

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