
A XP Inc (BDR: XPBR31) encerrou 2025 com números recordes e a leitura de que, pela primeira vez desde 2022, o cenário macro pode jogar a favor dos ativos de risco — e, consequentemente, do seu negócio. Em participação no Morning Call XP, o CFO da companhia, Victor Mansur, detalhou o desempenho do ano passado e traçou as principais linhas para 2026.
Recordes em ativos, base de clientes e rede de assessores
Em um ano descrito por Mansur como “muito diferente do que o mercado imaginava” — com juros mais altos e forte volatilidade política aqui e nos EUA — a XP passou ilesa aos tropeços do cenário e entregou crescimento.
Os principais marcos operacionais de 2025 foram:
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-R$ 2,1 trilhões em base de ativos totais de clientes (somando AUC + AUM + AUA), primeira vez acima de R$ 2 trilhões;
– Cerca de 5 milhões de clientes;
– 18 mil assessores de investimento;
– Mais de 800 centros de investimento espalhados pelo Brasil.
Mansur enfatizou que a XP se consolidou como “a primeira casa de investimentos agnóstica em modelo de atendimento” — oferecendo desde o modelo transacional até assessoria, consultoria e wealth management. A ideia, afirmou, é que o cliente escolha como quer ser atendido, enquanto a empresa reforça investimentos em planejamento financeiro, asset allocation e qualidade de serviço.
Receita cresce 8% no ano
Nos números financeiros, a XP fechou 2025 com:
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-R$ 19,5 bilhões de receita, alta de 8% ano a ano;
– Crescimento de 12% da receita no 4º trimestre, que somou cerca de R$ 5,5 bilhões;
– R$ 1,5 bilhão de lucro antes de impostos no trimestre;
– R$ 1,3 bilhão de lucro líquido no 4T25.
Desde o IPO, em 2019, o lucro por ação (EPS) cresce, em média, 29% ao ano, disse o CFO. A recompra de ações ajuda a turbinar esse indicador, fazendo o lucro por ação avançar mais rápido do que o lucro contábil.
O retorno sobre o patrimônio (ROE) foi de 23,9% em 2025, “um dos maiores do setor financeiro”, destacou Mansur. E ele fez um ponto adicional: a XP é, hoje, uma das instituições financeiras mais capitalizadas do país, com:
Índice de Basileia acima de 20%, o mais alto entre as grandes;
Segundo o executivo, se a XP operasse com um índice de capital semelhante à média do setor, o ROE (retorno sobre o patrimônio) ajustado passaria de 30%.
Captação firme: R$ 32 bilhões no trimestre e força em pessoa física
Na frente de captação, a XP manteve o ritmo que vem sendo repetido por analistas externos: cerca de R$ 20 bilhões por trimestre no varejo. No 4T25, o fluxo ficou assim:
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– R$ 23 bilhões de entrada de pessoas físicas;
– R$ 3 bilhões de saída de pequenas e médias empresas (SMEs);
– R$ 20 bilhões de net new money (NNM) em varejo;
– R$ 12 bilhões de NNM em corporate;
– R$ 32 bilhões de NNM total no trimestre.
Mansur associou a saída de recursos de PMEs, em parte, à discussão tributária – especialmente sobre taxação de dividendos e efeitos da reforma tributária – mas reforçou que o “pace” de R$ 20 bilhões por trimestre no varejo segue firme.
2026: juros em queda, bolsa forte
O CFO dedicou boa parte da fala a 2026. Segundo ele, o ano começou com:
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– Bolsa brasileira em forte alta, puxada principalmente por investidores estrangeiros;
– Entrada de quase R$ 20 bilhões de capital estrangeiro em ações;
– Real mais forte, em um contexto de dólar fraco globalmente e valorização de moedas emergentes;
– Esse câmbio mais apreciado, lembrou Mansur, ajuda a segurar a inflação e “abre espaço” para o Banco Central cortar juros.
Na visão dele, a probabilidade maior hoje é de início do ciclo de queda com corte de 50 pontos-base, e não 25 e o ciclo pode ser mais longo do que se imaginava no fim de 2025.
Mesmo com eleições em 2026, o quadro macro tende a ser mais favorável para ativos de risco do que foi desde 2022.
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Esse cenário, se confirmado, beneficia diretamente:
-Volumes negociados e trading;
– Receitas de corretagem e distribuição de produtos;
– Migração gradual de recursos de renda fixa muito curta para prazos mais longos e ativos de risco.
Mansur apontou ainda um efeito técnico importante: hoje, a taxa Selic de curto prazo está acima dos juros longos. À medida que o BC cortar a Selic, a curva tende a “normalizar”, o que reduz a distorção em que o investidor recebe mais no curto prazo do que ao alongar a duration em renda fixa. Isso tende a destravar a demanda por outros tipos de produto e por prazos mais longos — cenário típico em que a XP costuma se beneficiar.
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“Pela primeira vez desde 2022, a gente tem um tailwind: um risco macro mais pró-positivo do que negativo para o resultado da XP”, resumiu.
Caixa forte e retorno agressivo ao acionista
Além da geração operacional, a XP reforçou sua estratégia de retorno de capital ao acionista.
Em 2025, a companhia:
– Lucrou mais de R$ 5 bilhões;
– Devolveu R$ 2,4 bilhões aos acionistas, dos quais cerca de R$ 2 bilhões via recompra de ações;
– Nos últimos 3 a 4 anos, já foram mais de R$ 10 bilhões devolvidos, somando dividendos e recompras.
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