Uma grande parte dos compromissos selados pelas companhias administradoras de rodovias depende de insumos derivados do petróleo. Em meio à alta do preço do insumo, reflexo da guerra no Oriente Médio, investidores têm demonstrado preocupação com possíveis estouros de capex.
O índice proprietário da XP Investimentos de custo-proxy estima que o risco poderia ficar na faixa dos R$ 1,7 a R$ 2,2 bilhões, caso os preços permaneçam nos níveis atuais. Para a Motiva (MOTV3) e a EcoRodovias (ECOR3), o valor equivale a cerca de 5% e 30%, respectivamente, do valor de mercado.
De acordo com a XP, uma parcela significativa das operadoras de rodovias utiliza cimento asfáltico, um insumo derivado do petróleo. Ainda que o repasse a partir dos preços do petróleo bruto demore a acontecer, os analistas acreditam que um ambiente de preços elevados pode se traduzir em pressões de custo para essas companhias.
Com base no desempenho recente das empresas listadas na bolsa, o mercado parece já ter incorporado esse risco aos preços das ações. Desde março, as ações da Motiva e da EcoRodovias caíram 6% e 22%, respectivamente, desde 2 de março.
Reação fora do tom
Para os analistas da casa, a reação tem sido exagerada e alguns mitigadores relevantes precisam ser levados em consideração. Em primeiro lugar, grande parte das obras de curto prazo já está contratada, com preços pré-negociados. Além disso, picos no preço do petróleo tendem a se normalizar relativamente rápido assim que os riscos de disrupção diminuem.
De acordo com a XP, a execução do capex costuma diluir ao longo da vida das concessões de longo prazo. Além disso, os impactos efetivos no fluxo de caixa estão sujeitos a mecanismos de reequilíbrio.
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Fortes oscilações nos preços do petróleo como essas, podem ser consideradas eventos extraordinários não previstos nos contratos originais de concessão. Quando isso acontece, potencialmente, mecanismos de reequilíbrio econômico-financeiro são acionados.
Ainda que um ambiente prolongado de preços elevados do petróleo ainda represente um risco para concessões rodoviárias, a XP destaca alguns pontos de entrada. Além da reação exagerada do mercado, a casa considera a recente queda como um ponto de entrada atrativo. Em especial, para a EcoRodovia, que agora negocia a uma avaliação relativa mais atraente.
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