As investigações relacionadas ao Banco Master atingiram tanto o campo governista quanto o bolsonarista nas últimas semanas. Mas, segundo analistas, o impacto político foi bastante diferente para cada lado do espectro político.

Enquanto o áudio entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro coincidiu com uma queda do senador nas pesquisas, o avanço da Operação Compliance Zero sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA) praticamente não alterou os índices do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para Yuri Sanches, head de análise política da AtlasIntel, a principal diferença está na forma como o eleitor associa cada episódio aos presidenciáveis.

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“No caso do Flávio Bolsonaro havia uma ligação direta com Daniel Vorcaro. Já no caso de Jaques Wagner, apesar de ele ser uma figura importante do governo, ele não tem o mesmo nível de conhecimento nacional. Uma parcela relevante do eleitorado entende que o problema é muito mais do Jaques Wagner do que propriamente do presidente Lula”, afirmou durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (2).

Segundo o analista, isso ajuda a explicar por que Lula permaneceu praticamente estável na nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, mesmo após a operação atingir um dos principais aliados do governo.

Isso não significa, porém, que o episódio tenha passado despercebido. Yuri afirma que o caso produziu desgaste na imagem do governo, sobretudo entre os eleitores independentes, e pode voltar ao centro da campanha conforme as investigações avancem.

“Cerca de metade dos eleitores independentes diz que esse episódio piora a imagem que eles têm do governo Lula. Ainda não houve reflexo nas intenções de voto, mas isso cria um passivo que pode ser explorado pela oposição durante a campanha”, disse.

O levantamento também encontrou um dado que chamou a atenção dos pesquisadores: mesmo entre eleitores de Lula e pessoas que se identificam com a esquerda, há uma parcela significativa que acredita que Jaques Wagner recebeu vantagens indevidas do Banco Master.

“Mesmo dentro da própria base existe desconfiança sobre Jaques Wagner. Isso pode diminuir a disposição da militância em defendê-lo e levar parte do eleitorado a separar a imagem dele da do presidente”, afirmou Yuri.

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Na avaliação da editora de política do InfoMoney, Marina Verenicz, outro fator contribuiu para reduzir o impacto imediato do episódio foi o fato que a crise atingiu simultaneamente os dois principais campos da disputa presidencial. Depois do desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro com o Banco Master, a oposição também evitou transformar Jaques Wagner em alvo central dos ataques.

“A gente não viu o Flávio explorando muito essa questão porque, do lado dele, também pesou bastante o caso Banco Master. Acabou surgindo uma espécie de teto de vidro: os dois lados passaram a ter algum grau de vulnerabilidade nesse tema”, afirmou.

Para os participantes do programa, a tendência é que o assunto permaneça em segundo plano enquanto não surgirem novos fatos. Caso as investigações avancem, porém, a associação entre o Banco Master e o governo Lula pode ganhar mais espaço na disputa eleitoral, da mesma forma que ocorreu com Flávio Bolsonaro nas últimas semanas.

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O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.

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Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da fonte.

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