O investidor que está se afastando dos fundos de crédito privado pode estar fazendo exatamente o oposto do que sugerem os dados. Um estudo inédito aponta que, historicamente, quem coloca dinheiro na classe quando os prêmios de risco estão elevados — cenário atual — costuma obter, nos 12 meses seguintes, retorno equivalente a CDI mais 4,73%, com desempenho acima do CDI em 99,6% das observações.

A leitura é de Alexandre Muller, sócio e gestor de crédito privado da JGP, que mapeou nove anos do ciclo brasileiro de crédito privado a partir do IDEX, índice que reúne as maiores empresas do país emissoras de dívida. Segundo ele, os números desmontam a intuição de que momentos de estresse pedem saída da classe: é justamente nesses períodos que mora o melhor ponto de entrada.

As conclusões foram apresentadas no podcast Carteiros do Condado, da XP, comandado por Lucas Collazo e Davi Fontele. Muller mostrou que, ao longo dos nove anos de histórico do IDEX, o retorno acumulado equivalente do índice foi de CDI mais 1,04% ao ano. Dos nove anos analisados, sete superaram o CDI e dois ficaram abaixo — 2019 e 2023.

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“Fundo de crédito é uma classe de ativos para compor carteira, para compor alocação”, afirmou. Segundo ele, a classe “não vai deixar ninguém rico, mas também não vai deixar ninguém pobre” — e é justamente essa estabilidade que a torna adequada a horizontes longos, como carteiras de previdência. Se os cinco eventos de calote que impactaram o índice desde 2017 fossem retirados da conta, o retorno histórico subiria para CDI mais 1,5% ao ano.

O que os quartis de prêmio revelam

O estudo separou os dias de observação em quatro faixas, de acordo com o prêmio pago pelo IDEX sobre o CDI. O resultado é contundente. Quem investiu nos 25% dos dias com prêmios mais altos — acima de 1,82% — viu o retorno médio nos 12 meses seguintes alcançar CDI mais 4,73%, com índice Sharpe de 1,87 e apenas dois dias, em 544 observações, com desempenho abaixo do CDI.

Na outra ponta, quem entrou quando os prêmios estavam comprimidos, abaixo de 1,04%, obteve retorno médio de CDI menos 0,09%. Em 204 dos 544 dias dessa faixa, o retorno nos 12 meses seguintes ficou abaixo do CDI, e o Sharpe foi negativo.

“O investidor de agora devia estar olhando para entrar, e não para sair, se olhando pelos dados históricos”, disse o gestor. Ele acrescentou que “ser contra-ciclo em crédito, historicamente, super se paga” — uma lógica que, apesar de contraintuitiva, se repete ao longo dos ciclos.

A contra-argumentação natural seria que o mercado hoje carrega mais risco. Mas, segundo o estudo, a qualidade média de crédito do IDEX praticamente não mudou: 93,97% da carteira tinha nota A ou superior no ciclo de 2022 e 2023, contra 93,04% no ciclo atual.

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Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da fonte.

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