As construtoras Cyrela (CYRE3), Mitre (MTRE3) e Even (EVEN3) divulgaram suas respectivas prévias operacionais na última segunda-feira (13). Embora tenha sido observada uma desaceleração em lançamentos e vendas em alguns casos, analistas destacam melhora na qualidade das operações, redução de estoques e maior foco em segmentos mais resilientes, como baixa renda.
Por volta das 11h09 (horário de Brasília), as ações de Cyrela subiam 0,32%, a R$ 28,09, MTRE3 avançava 0,76, a R$ 3,98, enquanto EVEN3 tinha alta de 0,28%, a R$ 7,28.
As vendas líquidas da Cyrela somaram R$ 2,21 bilhões (participação da companhia), 3% menor em relação às estimativas do JPMorgan, mesmo com lançamentos 23% abaixo do esperado, em R$ 1,77 bilhão.
Como resultado, a velocidade de vendas agregada foi fraca, mas em linha com as projeções do banco, em 16,0%, recuo de 5,2 pontos percentuais (p.p.) na base anual e de 1,2 p.p. no trimestre, atingindo o menor nível desde o 1T23 e abaixo da Eztec, que registrou 18,3%.
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Em relação ao estoque, o JPMorgan estima cerca de 14,5 meses de oferta, ante 14,8 meses no trimestre anterior. Já as vendas de unidades prontas voltaram a acelerar, atingindo R$ 271 milhões, frente a R$ 195 milhões no 4T25.
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O JPMorgan manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 35,50.
Na avaliação do Bradesco BBI, a Cyrela entregou resultados operacionais consistentes, com velocidade de vendas praticamente estável na comparação trimestral, mesmo em um trimestre sazonalmente mais fraco, e com desaceleração esperada no comparativo anual.
O banco viu de forma positiva a redução de estoques, apoiada por um aumento de 24% no comparativo anual das vendas de unidades em construção.
O Bradesco BBI manteve recomendação de compra, com preço alvo de R$ 41,00, sustentada por: (i) maior relevância do segmento de baixa renda, mais resiliente, que estima responder por cerca de 40% do lucro líquido em 2026; (ii) um cenário macroeconômico mais favorável, com avanço do ciclo de cortes de juros; e (iii) valuation atrativo, com o papel negociando a 6,0 vezes o P/L (Preço sobre Lucro) para 2026 e 4,4 vezes para 2027.
O BTG, por sua vez, pontuou que o trimestre foi marcado por desaceleração na velocidade de vendas e menor volume de lançamentos. Ainda assim, a companhia segue aumentando sua exposição ao segmento de baixa renda. A recomendação permanece de compra e preço-alvo de R$ 40, com valuation atrativo.
Embora o mercado possa destacar a fraqueza em vendas, lançamentos e na velocidade de vendas, que recuou levemente 81 pontos-base no trimestre para 16%, o Goldman Sachs disse entender que a Cyrela está enfrentando diretamente a principal preocupação dos investidores, especialmente em relação ao estoque de alta renda. As vendas desse segmento foram 30% superiores aos lançamentos, além de haver aceleração na exposição ao segmento de baixa renda, cujas vendas cresceram 35% na base anual no trimestre.
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O Goldman Sachs manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 34.
O BBI avalia que os números fracos de forma geral, em função da ausência de lançamentos e da desaceleração do VSO. Apesar da Even contar com um cronograma relevante de projetos ao longo de 2026, o BBI manteve recomendação neutra e preço alvo de R$ 10,00, diante da falta de gatilhos de curto prazo e de um ambiente mais desafiador à frente. As ações negociam a aproximadamente 0,8 vezes o valor patrimonial (P/VPA), refletindo esse balanço entre potencial demédio prazo e limitações no curto prazo.
Para o BTG, o desempenho foi impactado pela sazonalidade e por um ambiente macro mais fraco para o segmento de média e alta renda. A estratégia de focar em projetos maiores e diferenciados foi mantida. Ainda assim, os resultados operacionais foram considerados fracos no período. O banco manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 9,50, diante do cenário macro desafiador.
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O BBI considerou o desempenho operacional da Mitre positivo no 1T26, sustentado por vendas líquidas resilientes e pela execução bem-sucedida de um lançamento relevante no segmento de alta renda.
“Embora o estoque tenha aumentado em função desse lançamento, o nível de unidades prontas permanece baixo”, destacam analistas. “Ainda assim, apesar de um cronograma de entregas para 2026 com elevado nível de pré-venda (95%), seguimos vendo poucos gatilhos de curto prazo em um ambiente mais desafiador à frente”, completam.
Diante disso, o BBI reiterou recomendação neutra para Mitre, com preço alvo de R$ 5,00, com o papel negociando a cerca de 0,4 vez o valor patrimonial (P/VPA).
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Já o BTG destacou que o desempenho da construtora foi pressionado pela menor venda de estoque, apesar do bom desempenho do lançamento. A velocidade de vendas permaneceu abaixo do observado anteriormente.
Segundo BTG, o cenário segue desafiador para o segmento de média e alta renda, afetando vendas e retorno. A recomendação permanece neutra, com preço-alvo de R$ 4,80, mesmo com valuation descontado.
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