Estamos a um ano das eleições de 2026. Ainda há muita incerteza sobre os competidores: não há definição quanto ao candidato da direita que enfrentará o presidente Lula, e, no estado de São Paulo, não se sabe quem serão os candidatos ao governo estadual nem às duas vagas ao Senado.

As regras que nortearão a disputa e os recursos para campanhas, no entanto, já são conhecidas.

O princípio da anterioridade eleitoral estabelece que qualquer alteração nas regras do jogo deve ser aprovada e sancionada até um ano antes do pleito.

Assim, já sabemos que a Câmara dos Deputados manterá as 513 cadeiras atuais, que a cada 3 candidatos apresentados por cada partido na disputa para a Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas ao menos 1 deve ser mulher e que permanecem inalteradas as regras para campanha, arrecadação e prestações de contas.

Tais regras poderiam ter sido alteradas se leis discutidas ao longo deste ano tivessem sido aprovadas e sancionadas a tempo.

Na última semana, em reunião da Comissão Mista de Orçamento, foi definido o valor do Fundo Especial de Financiamento de Campanha: R$ 4,9 bilhões. Desse total, R$ 3,9 bilhões são recursos originalmente destinados a emendas de bancadas de execução obrigatória e R$ 1 bilhão será remanejado de outras despesas discricionárias previstas no orçamento da União.

Além disso, os partidos terão à sua disposição R$ 1,4 bilhão do Fundo Partidário, segundo o Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2026. A soma dos dois fundos se aproxima do valor arrecadado de empresas na eleição de 2014, o último com doações de pessoas jurídicas, corrigido pelo IGP-M: R$ 6,5 bilhões.

Os R$ 6,3 bilhões destinados aos partidos e candidatos são muito ou são pouco?

O valor equivale a cerca de R$ 40 por eleitor apto a votar. Considerando os 6 cargos em disputa, são R$ 6,66 por eleitor/cargo. Como parâmetro de comparação, em 2025 os ministérios do Meio Ambiente e da Cultura tiveram orçamento de R$ 4,2 bilhões cada.

O debate sobre financiamento político e eleitoral no país, no entanto, deveria mudar de foco. Falta discutir a forma da distribuição dos recursos. Hoje são as direções partidárias que decidem a alocação da totalidade dos recursos, sujeitas a poucas restrições, como a de destinar o mínimo de 30% para candidatas mulheres e 30% para candidatos pretos e pardos.

Outros países adotam modelos mais criativos. Alguns condicionam os repasses ao comparecimento efetivo dos eleitores, outros preveem regras de distribuição entre entes federativos e há aqueles que utilizam mecanismos de matching funds, em que o fundo público complementa cada doação individual em proporção pré-definida.

Explorar modelos que deem mais voz aos cidadãos pode aumentar a legitimidade do fundo público e dos partidos, além de reduzir a insatisfação crescente da sociedade com a política.

A restrição das fontes de financiamento aumentou a pressão por recursos públicos.

O problema é que o crescimento dessa fonte de financiamento não veio acompanhado de maior transparência no funcionamento dos partidos nem de métodos mais democráticos de alocação dos recursos, o que aumentaria o protagonismo dos cidadãos e poderia contribuir para diminuir a insatisfação da sociedade com as instituições políticas.


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Estamos a um ano das eleições de 2026, mas a incerteza sobre os candidatos e estratégias persiste. Com as regras eleitorais definidas, a Câmara manterá suas 513 cadeiras e a proporcionalidade de gênero nas candidaturas. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha foi fixado em R$ 4,9 bilhões, além de R$ 1,4 bilhão do Fundo Partidário, totalizando cerca de R$ 6,3 bilhões disponíveis para a eleição. Esse valor é comparado ao orçamento de ministérios e representa R$ 40 por eleitor. Entretanto, o debate sobre financiamento eleitoral deve incluir discussões sobre a distribuição dos recursos, atualmente controlada pelas direções partidárias, com poucas obrigações. Modelos adotados em outros países, como a distribuição baseada na participação eleitoral ou matching funds, poderiam promover maior accountability e legitimidade nos partidos brasileiros. A crescente dependência de recursos públicos sem transparência agrava a insatisfação da sociedade com a política, tornando necessário um movimento em direção a métodos mais democráticos e participativos na alocação de recursos, para revitalizar a confiança nas instituições políticas.

Essa contextualização reforça a urgência de uma reflexão crítica sobre o financiamento político e eleitoral no Brasil à luz das próximas eleições.

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Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da FONTE.

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