A proposta dos EUA de aplicar tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, não pode ser tratada como simples ruído político, mas também não justifica pânico, resume André Matos, CEO da MA7 Negócios. “O ponto técnico mais relevante é que a lista de isenções tem 73 páginas e exclui setores estratégicos, como aeronaves civis, beneficiando a Embraer (EMBJ3), além de medicamentos, fertilizantes, terras raras, suco de laranja e café. Boa parte do que o Brasil exporta para os EUA, especialmente do agronegócio e da indústria aeronáutica, está protegida nesse desenho inicial”, destaca. “O efeito real concentra-se em aço, alumínio, carne bovina, calçados e têxteis”. Ele entende que há possibilidade de afastar o investidor estrangeiro, mas o risco é indireto. “O capital externo não é diretamente atingido pela tarifa, mas é sensível ao prêmio de risco país e à percepção de deterioração da relação bilateral. Com o Brasil já carregando ruído eleitoral crescente, Dívida Bruta em 80,1% do PIB e Selic em 14,50%, qualquer ruído adicional pode desacelerar o fluxo de R$ 67 bilhões que entrou na B3 em 2026. O mercado deve tratar a tarifa como risco macroeconômico real, mas dimensionado. O cenário base ainda é de negociação até 15 de julho, com possibilidade de acordo parcial ou ampliação da lista de isenções. Para o investidor, a postura ideal é manter exposição equilibrada entre renda fixa, com prêmios historicamente atrativos, e ações de empresas com receita diversificada geograficamente, evitando concentração em exportadoras sem isenção”.
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