Mais do que um ótimo filme de terror, “Juntos” é um ótimo filme. Ponto.
Com uma ideia simples – mas muito bem trabalhada por seu diretor/roteirista estreante – e um casal de protagonistas que espelha com sagacidade seu casamento na vida real, é tranquilamente um dos melhores exemplares do gênero dos últimos anos.
Ao estrear nesta quinta-feira (14) nos cinemas brasileiros, o filme prova ainda que uma obra de terror corporal não precisa apelar para sangue e vísceras e gosmas e fluidos jogados no espectador.
Em contraste com “A substância” (2024), que conquistou o mundo com seu espetáculo do grotesco, “Juntos” prefere uma abordagem sutil e constrói a tensão muito mais no que não é mostrado.
Com um desfecho bonito e certeiro para seu tema, uma raridade para o gênero, supera a previsibilidade de sua proposta/fórmula – mais um caso inegável em que curtir a jornada pode ser tão prazeroso quanto a chegada a um (belo) destino já conhecido.
Assista ao trailer de ‘Juntos’
Quando 2 viram 1
Em “Juntos”, os casados na vida real Alison Brie (“Community”) e Dave Franco (“Truque de mestre”) interpretam um casal em um relacionamento estagnado.
Após se mudarem para o interior, eles são obrigados a confrontar seus problemas quando fenômenos aparentemente sobrenaturais desafiam suas noções de proximidade (e intimidade e codependência).
A ideia de um casal cujos corpos atravessam um lento e agoniante processo de fundição em um só não é necessariamente a mais original do mundo – o filme até é alvo de um processo de plágio movido pelo criador de um conceito parecido lançado em 2023.
Mas, ao buscar inspiração no próprio casamento, o cineasta Michael Shanks empresta uma humanidade notável à premissa, em especial ao personagem de Franco, um músico frustrado que ainda sustenta sonhos de estrelato no começo da meia-idade.
O ator, aliás, mostra um alcance até então desconhecido ao subverter o arquétipo moleque chapado irreverente pelo qual ficou conhecido.
Ao lado do diretor e de Brie, o irmão mais novo do Franco mais famoso – James – forma o tripé de sustentação de um filme que rompe, de leve, as barreiras de seu gênero.
Alison Brie e Dave Franco em cena de ‘Juntos’
Divulgação
O horror na imaginação
No fim do dia, também não dá para desprezar a qualidade de “Juntos” como um ótimo terror. Shanks supera o aspecto mais esquemático da estrutura, em especial uma subtrama sobre os pais do protagonista, com uma tensão construída sem pressa ou a necessidade de sustos fáceis com estrondos ensurdecedores.
A própria promessa da premissa já serve para gerar o desejado incômodo de todo bom terror corporal (ou body horror, no original).
Mas o diretor sabe dosar bem a progressão do fenômeno, e prova que muitas vezes não é preciso mostrar pedaços voando – basta retratar a lâmina entrando e deixar o resto para imaginação do público.
Cartela resenha crítica g1
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Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da fonte.

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