Marine Le Pen, líder da extrema direita francesa há duas décadas, pretende disputar pela quarta vez a Presidência mesmo depois de um colegiado de apelação ter determinado que ela use tornozeleira eletrônica ao manter sua condenação por uso indevido de recursos públicos.

A chefe do partido populista Reagrupamento Nacional, que lidera as pesquisas de opinião, disse que lançará em breve sua campanha para 2027 e apresentará recurso à mais alta Corte da França. Segundo ela, essa manobra vai adiar o cumprimento da pena e permitir que viaje sem as restrições impostas pela tornozeleira eletrônica.

“Hoje à noite, eu sou candidata”, disse Le Pen nesta terça-feira ao telejornal da TF1. “Não vou mudar de ideia”, acrescentou, horas depois de ser liberada para entrar na disputa pela sucessão de Emmanuel Macron.

Le Pen foi condenada inicialmente em março de 2025 por juízes de primeira instância, que impuseram inelegibilidade por cinco anos e pena de dois anos de prisão. Os desembargadores reduziram o período de inelegibilidade, mas mantiveram a condenação por desvio de recursos da União Europeia. Ela é acusada de ter usado indevidamente cerca de € 474 mil (US$ 541,8 mil) entre 2009 e 2016, quando era deputada do Parlamento Europeu, para contratar assessores. Também foi acusada de incentivar outros parlamentares de seu partido a desviar milhões para reduzir o peso financeiro do Reagrupamento Nacional.

A decisão esclarece o cenário político e, na prática, dá a largada para a campanha presidencial. A primeira parada de Le Pen está marcada para a manhã de quarta-feira em La Sarthe, a sudoeste de Paris, onde ela será acompanhada por seu protegido e presidente do partido, Jordan Bardella, de 30 anos. Ele teria concorrido caso a Justiça não tivesse reduzido a inelegibilidade de Le Pen.

Pouco depois do anúncio na TV, Le Pen divulgou seu cartaz político e o site de campanha.

Continua depois da publicidade

“O povo francês terá a palavra final”, afirmou.

Le Pen não foi a única referência da direita europeia a recorrer ao público nesta terça-feira em sua batalha contra o que chama de elite do establishment. No Reino Unido, Nigel Farage renunciou ao cargo de deputado e disse que buscará um novo mandato na eleição suplementar que será convocada após a crescente reação negativa a presentes não declarados.

Especialistas veem a decisão de Le Pen de concorrer — que ainda pode ser barrada pela mais alta Corte da França — como um sinal de que ela duvida da capacidade do ainda inexperiente Bardella de levar o Reagrupamento Nacional ao poder.

Continua depois da publicidade

“Bardella continua inexperiente e, por mais que ela diga que confia nele, isso pode parecer a melhor chance do RN de vencer a Presidência”, disse Marta Lorimer, professora de política da Universidade de Cardiff e pesquisadora visitante da London School of Economics, usando a sigla francesa do Reagrupamento Nacional.

Jean-Yves Camus, historiador e um dos principais especialistas da França em extrema direita, afirma que Le Pen está disposta a forçar a mão dos juízes “porque sabe que os outros candidatos a temem mais do que a Bardella”.

As críticas vieram de boa parte do espectro político. O candidato de centro e ex-primeiro-ministro Édouard Philippe exigiu que ela explicasse sua decisão. Gabriel Attal, outro ex-primeiro-ministro que disputa a eleição por uma plataforma centrista, criticou o que descreveu como um problema moral em concorrer depois de ter sido condenada. Já o líder do Partido Socialista, Olivier Faure, disse que Le Pen deve um pedido de desculpas ao povo francês e que não deveria disputar a Presidência.

Continua depois da publicidade

A determinação de Marine Le Pen reflete seu sucesso ao longo de duas décadas à frente de um partido que saiu da margem da sociedade respeitável para se tornar uma força de massa. Ela assumiu o comando em 2011, sucedendo o pai, Jean-Marie, que fundou a legenda como um movimento nacionalista, anti-imigração e antissemita. Le Pen imediatamente começou a tentar melhorar a imagem do partido, mudando seu nome de Frente Nacional e, mais tarde, expulsando o próprio pai.

Ela concorreu à Presidência três vezes e chegou ao segundo turno em duas, melhorando seu desempenho a cada eleição. Nos últimos anos, Le Pen transferiu a gestão do dia a dia para Bardella. Ao mesmo tempo, abandonou algumas bandeiras radicais, como a saída do euro e a retirada da França da União Europeia; desistiu também de um plano para acabar com a dupla cidadania — uma marca da extrema direita — e deixou de se opor ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ela também passou a afirmar que o islamismo moderado é compatível com os valores franceses.

Ainda assim, manteve elementos centrais da plataforma do partido: hostilidade à imigração e a doutrina de “prioridade nacional”, segundo a qual cidadãos franceses teriam preferência no acesso a diversos benefícios do Estado.

Continua depois da publicidade

Na tentativa de suceder Macron, que a derrotou em 2017 e 2022 e está legalmente impedido de disputar um terceiro mandato consecutivo, Le Pen entra na corrida em condições mais favoráveis do que nunca. Seu partido é hoje o mais popular da França e tem a maior bancada na Assembleia Nacional. Além disso, suas finanças estão melhorando graças às sucessivas vitórias eleitorais.

Se vencer no ano que vem — com o primeiro turno marcado para 18 de abril e o segundo para 2 de maio —, Le Pen disse à TF1 que nomeará Bardella como primeiro-ministro.

_____________________________

_____________________

_____________

_______

___

Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da fonte.

Compartilhe com quem também gostará desse texto

Artigos Relacionados

Trilhas das novelas de Benedito Ruy Barbosa incluem músicas marcantes que ainda ecoam na memória popular

Trilhas das novelas de Benedito Ruy Barbosa incluem músicas marcantes que ainda ecoam na memória popular

Pabllo Vittar põe na pista três músicas inéditas do sétimo álbum de estúdio, ambientado em atmosfera eletrônica

Pabllo Vittar põe na pista três músicas inéditas do sétimo álbum de estúdio, ambientado em atmosfera eletrônica

Leilane Neubarth anuncia saída do jornalismo diário

Leilane Neubarth anuncia saída do jornalismo diário

Top Trends