
Capa do álbum ‘Rosa no céu’, de Maria Luiza Jobim
Arte de Maria Ana Moura Santos a partir de foto de Marina Guimarães
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Rosa no céu
Artista: Maria Luiza Jobim
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ Esqueça aquela cantora e compositora sem identidade do primeiro álbum solo, “Casa branca” (2019), arquitetado e construído com produção musical de Alexandre Kassin. Sete anos e um disco no meio do caminho, “Azul” (2023), álbum de tom carioca arranjado e produzido por Alberto Continentino, Maria Luiza Jobim reaparece e cresce na leveza do terceiro álbum solo, “Rosa no céu”.
Falar em leveza chega a ser paradoxal quando todo mundo sabe que, querendo ou não, Maria Luiza carrega o peso do sobrenome Jobim por ser simplesmente filha de um dos maiores compositores do mundo, um gênio, dono de cancioneiro de alcance planetário.
Sim, paira a sombra monstruosa de Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) em uma canção cheia de bossa como “Sofá vermelho”, parceria de Maria Luiza com Marcelo Camelo, arquiteto do álbum lançado em 2 de junho com capa que expõe arte criada por Maria Ana Moura Santos a partir de foto da cantora feita por Marina Guimarães.
Contudo, Maria Luiza já começa a fazer o próprio nome e, sim, Marcelo Camelo é o produtor da vez na discografia solo da artista carioca de 39 anos. E a conexão Brasil-Portugal fez muito bem a Maria Luiza Jobim, como mostra o álbum gravado no estúdio Mar de Ouro, em Lisboa.
“Rosa no céu” é álbum de (boas) canções. E cabe ressaltar que a mais aliciante das sete canções inéditas, “Go go go”, traz somente a assinatura de Maria Luiza Jobim na composição, o que deslegitima qualquer sentença de que a artista floresce no álbum “Rosa no céu” por causa da feliz parceria com Camelo.
De todo modo, é nítida a influência de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães no desabrochar de Maria Luiza Jobim em “Rosa no céu”. Basta ouvir o arranjo de “We are young”, música assinada por Camelo e Mallu, para identificar a contribuição ao álbum do casal brasileiro residente em Lisboa (a faixa remete a gravações da fase mais maturada da discografia de Mallu).
Camelo e Mallu são parceiros de Maria Luiza em “Portugal”, música composta em inglês. A beleza de “Boca a boca” – canção adornada com cordas em arranjo que reitera a arquitetura refinada (mas jamais rebuscada) – e a fluência do samba “Sinais” sublinham o êxito da parceria de Camelo com Maria Luzia e a harmonia de álbum em que canto, composições e arranjos se afinam com elegância e graciosidade.
Única faixa fora do trilho autoral, a canção francesa “La Javanaise” (Serge Gainsbourgm, 1963) – rebobinada por Maria Luzia em feat com Chico Chico – mantém o clima do álbum, mas sem encantar quem já conhece as abordagens da canção por Rita Lee (1947 – 2023) e pelo duo Agridoce em suaves registros de 1990 e 2017, respectivamente.
No arremate do álbum de Maria Luiza, a música-título “Rosa no céu” vem em suntuoso arranjo de cordas de Jaques Morelenbaum, violoncelista que integrou a Nova Banda, formada por Tom Jobim nos anos 1980. É como se, ao gravar com Jaques, Maria Luiza sustentasse o peso de ser uma Jobim e, ao mesmo tempo, se permitisse ser leve para poder enfim desabrochar – dez anos após o primeiro álbum do Opala, duo que revelou a artista na cena indie carioca – neste sedutor “Rosa no céu”.
Maria Luiza Jobim lança o terceiro álbum solo, ‘Rosa no céu’, produzido por Marcelo Camelo
Marina Guimarães / Divulgação
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