
Noca da Portela (1932 – 2026) morre no Rio de Janeiro (RJ) aos 93 anos
Divulgação
♫ OBITUÁRIO
♬ Em 1981, a ditadura brasileira começava a agonizar e, com os ventos da abertura política já soprando em todo o Brasil, Noca da Portela compôs com o parceiro Gilson Pereira, o Gilper, um samba engajado na luta pelo redemocratização do país. Intitulado “Virada”, o samba ganhou o Brasil na voz de Beth Carvalho (1946 – 2019), cantora também politizada.
“Virada” foi um dos maiores sucessos da trajetória vitoriosa de Oswaldo Alves Pereira (12 de dezembro de 1932 – 17 de maio de 2026), o cantor e compositor mineiro imortalizado como Noca da Portela.
Ocorrida neste domingo, no Rio de Janeiro (RJ), por conta de pneumonia e outras complicações decorrentes da internação em hospital para tratar infecção urinária, a morte de Noca da Portela, aos 93 anos, enluta o universo do samba pela dimensão da obra do artista, nascido em Leopoldina (MG), cidade do interior de Minas Gerais, mas residente no Rio de Janeiro (RJ) desde os cinco anos.
Compositor de cerca de 500 sambas, Noca deixa sucessos como “É preciso muito amor” (1979) – parceria com Tião de Miracema lançada na voz do cantor Chico da Silva e regravada por bambas como Zeca Pagodinho e Dudu Nobre – e “Caciqueando” (1983), outra música de Noca associada à voz referencial de Beth Carvalho.
Noca carregou no sobrenome artístico a Portela, tradicional escola de samba do Carnaval carioca. Na agremiação azul e branca, à qual foi levado por Paulinho da Viola na década de 1960, precisamente em 1966, Noca venceu sete vezes a disputa de samba-enredo da escola. A Portela foi para a avenida com sambas de Noca nos Carnavais de 1985 (“Recordar é viver”), 1995 (“Gosto que me enrosco”) e 1998 (“Os olhos da noite”), entre outros anos.
O amor pela escola foi exaltado pelo compositor no samba “Portela querida” (1967), parceria com Colombo e Picolino (com os quais integrou o trio ABC da Portela) que se tornou um dos hinos informais da agremiação.
Além de ter composto sambas para blocos cariocas como Simpatia é quase amor, Noca também teve o nome ligado à escola de samba Paraíso do Tuiuti.
Como compositor, Noca da Portela foi gravado por grandes nomes do samba, como Alcione – que registrou em 1982 “Vendaval da vida”, parceria do bamba com Delcio Carvalho (1939 – 2013) – e Paulinho da Viola, intérprete de “Peregrino” (1996), samba de Noca com Toninho Nascimento.
Parceiro de Martinho da Vila em dois sambas, “Nem a lua” (1978) e “Vidas negras importam” (2021), Noca também construiu discografia solo. Como cantor, o sambista deixa álbuns como “Mãos dadas” (1980), “Samba verdadeiro” (1998) e o derradeiro “Homenagens” (2016), testamentos de obra engajada em que o bamba militante Noca da Portela usou o samba para defender os ideais de democracia e justiça social.
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