O Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, nesta quarta-feira (17), em uma decisão que não surpreendeu o mercado. O que chamou atenção dos especialistas não foi o número, mas o tom do comunicado, lido como mais duro e cauteloso diante de uma inflação persistente.

Para Lucas Genoso, head de renda fixa do Research da XP, o recado mais relevante estava justamente na sinalização do BC. “O que realmente importava não era o corte em si, mas a sinalização sobre os próximos passos”, diz. Segundo ele, o Copom precisava acalmar um mercado que vinha precificando até novas altas de Selic no segundo semestre – expectativa que ganhou força depois que o IPCA furou o teto da meta.

Leia também: Selic que leva dívida a quase 20% ao ano tira o sono do mercado de crédito privado

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Apesar da queda dos juros, “o momento ainda é dos títulos públicos e da renda fixa”, segundo Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital. Genoso fala em “momento de aproveitar oportunidades com disciplina”. 

Tesouro IPCA+ segue em alta

Se a Selic mudou, o foco da alocação continua o mesmo: os títulos atrelados à inflação são a grande oportunidade do momento. Genoso afirma que a preferência da XP por IPCA+ se mantém, com a recomendação ancorada no carrego. “Hoje, o investidor consegue travar um juro real elevado, um patamar que apareceu em menos de 10% da série histórica”, diz. Nos vencimentos mais curtos, o juro real já passa de 8%. 

Victor Furtado, head de alocação na W1 Capital, vai além e crava: “jamais posso deixar de lado um IPCA+8%.” Ele justifica com uma comparação: “é quase três vezes o que o CDI oferece de juros reais no longo prazo”, afirma, lembrando que, nos últimos 15 anos, o CDI entregou em média algo próximo de IPCA + 3,5%.

Para reforçar a tese, o especialista cita um estudo da W1: em 93% das vezes em que o IMA-B 5 – índice que mede títulos públicos atrelados à inflação de até cinco anos – superou IPCA + 6%, o retorno em 12 meses ficou acima de 100% do CDI para quem comprou naquele momento.

Já Trevisan alerta que quem mantém a carteira apenas em pós-fixados está perdendo a maior janela de juro real dos últimos dez anos. “Para quem pensa numa aposentadoria daqui 10 ou 15 anos, um título público pagando IPCA +  8,32% é muito juro.” 

O conselho do CEO da Gravus é deixar de olhar tanto a marcação a mercado de curto prazo, ou seja, o lucro com a venda antecipada do papel, e mirar a alocação de longo prazo. Em termos de vencimentos, o especialista prefere prazos intermediários, com posições entre 2031 e 2035, onde enxerga bom prêmio sem o risco de marcação dos vértices muito longos. A XP também prefere o miolo da curva, com duration de até seis anos para capturar prêmio sem se expor demais à volatilidade. 

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Para fazer a estratégia dar certo, porém, é preciso paciência. A XP não espera uma queda consistente da taxa real no curto prazo, movimento que dependeria de uma resolução crível do quadro fiscal. Até lá, na visão de Genoso, “o investidor é remunerado para esperar”, e um eventual fechamento dos juros entra como ganho adicional via marcação a mercado, premiando quem já está posicionado e pode optar por se desfazer do papel antes do vencimento.

Tesouro Selic: o caixa que paga bem

O pós-fixado aparece como o componente de segurança e liquidez das carteiras. Furtado diz que Tesouro Selic e Tesouro IPCA são “o arroz com feijão que dá certo, porque eles foram feitos para se casar”. Com a taxa básica nas alturas, o Tesouro Selic segue atraente como caixa e investimento de curto prazo.

Em uma carteira hipotética, Furtado coloca metade do patrimônio em pós-fixados, dando peso menor, mas relevante, de 37,5%, ao IPCA+ para o horizonte de três a seis anos. A lógica é que os pós-fixados garantem rentabilidade e proteção no curto prazo e, se o cenário piorar, permitem reforçar posições em inflação a taxas ainda melhores. 

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Cautela no Prefixado

É no Tesouro Prefixado que aparecem os alertas dos especialistas. Para Furtado, é “a parte na alocação de renda fixa mais obscura hoje, onde as chances de errar são maiores“. Ele recomenda exposição pequena e tática, reservada a investidores com alta convicção na queda dos juros.

Genoso reconhece que a abertura recente das taxas nominais elevou o carrego dos prefixados e tornou os papéis atrativos, mas pondera que o retorno travado deixa o investidor exposto caso as expectativas de inflação voltem a se deteriorar. Por isso, a XP prefere concentrar a exposição em prazos curtos, com duration em torno de quatro anos.

Trevisan é o mais enfático. “Eu tendo a não gostar muito de prefixado no Brasil”, afirma. O motivo é o risco de travar uma taxa e ver o juro disparar.

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Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da fonte.

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