A gestora Roundhill Investments prevê listar seis ETFs ligados a mercados preditivos políticos na próxima terça-feira (5), tornando possível pela primeira vez que qualquer investidor negocie, por meio de uma corretora comum, contratos atrelados ao resultado de eleições nos Estados Unidos.

Cada fundo reflete a probabilidade de um partido vencer uma eleição específica. Os contratos subjacentes liquidam a US$ 1 se o resultado ocorrer e a zero se não ocorrer, de modo que o investidor recebe o valor integral caso o partido escolhido vença e perde praticamente tudo se ele perder. Os prospectos trazem esse aviso em letras garrafais.

Os fundos cobrem as eleições legislativas americanas de novembro de 2026 e a corrida presidencial de 2028, com produtos separados para democratas e republicanos nas disputas pela Casa Branca, pelo Senado e pela Câmara dos Representantes. Os tickers são BLUP, REDP, BLUS, REDS, BLUH e REDH.

O analista de ETFs da Bloomberg James Seyffart estima que os produtos da Bitwise e da GraniteShares, que também protocolaram pedidos semelhantes junto à SEC (a CVM americana) em fevereiro, devem ser listados em data próxima. A diferença entre os concorrentes está no que acontece após a eleição: Roundhill e GraniteShares mantêm o fundo ativo e migram a exposição para o próximo ciclo eleitoral, enquanto a Bitwise simplesmente encerra o produto após o resultado.

O caminho foi aberto por uma mudança regulatória recente. A CFTC, regulador de derivativos dos EUA, descartou em fevereiro uma proposta da gestão Biden que teria proibido esse tipo de contrato vinculado a eleições, embora alguns estados ainda contestem os instrumentos na Justiça. Ao empacotar esses contratos em ETFs, a Roundhill permite que investidores comuns os acessem por corretoras convencionais e, em alguns casos, até por contas de aposentadoria.

O movimento contrasta com o caminho adotado no Brasil. Na última sexta-feira (24), o Conselho Monetário Nacional aprovou a Resolução 5.298/2026, que proíbe a oferta e negociação de contratos de mercados preditivos atrelados a eventos não financeiros, como esportes, política e entretenimento. A vedação começa a valer a partir do dia 4 de maio.

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Produzido e/ou adaptado por Equipe Tretas & Resenhas, com informações da fonte.

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