
A criminalidade e o tráfico de drogas são apontados como o principal problema do Brasil por 66,8% da população, segundo a edição de maio do levantamento Latam Pulse, realizado pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg.
De olho em dividendos eleitorais, os dois principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto apostam em caminhos bastante distintos para dialogar com um eleitorado cada vez mais preocupado com a violência.
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta construir uma agenda baseada em inteligência policial, combate ao financiamento das facções e integração entre órgãos públicos, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aposta em propostas de endurecimento penal, como redução da maioridade penal, ampliação do sistema prisional e restrições à progressão de regime.
Para Bianca Lima, analista de política da XP, em participação no “Mapa de Risco”, programa de política do InfoMoney, as diferenças refletem não apenas visões distintas sobre segurança pública, mas também estratégias eleitorais.
“O governo federal vem tentando adotar medidas que não dependam da deliberação de deputados e senadores. Lançou um programa muito nessa linha de tentar asfixiar o crime organizado, olhar para a rede de financiamento dessas organizações e fazer esse combate pelo andar de cima. Também abriu uma linha de crédito via BNDES para os governadores e tenta mostrar que está usando a inteligência da Polícia Federal, da Receita e de outros órgãos federais para controlar essas organizações”, afirmou, no episódio desta sexta-feira (10).
Segundo a analista, a estratégia busca diferenciar o governo de modelos mais associados ao confronto direto e ao aumento da repressão policial.
Continua depois da publicidade
PEC parada limita agenda do governo
Parte dessa estratégia passava pela PEC da Segurança Pública, enviada pelo Executivo ao Congresso. No entanto, Bianca avalia que a proximidade das eleições tornou improvável o avanço do texto no Senado ainda neste ano.
“Hoje, nossa visão é que há pouco espaço e abertura política para essa PEC da Segurança avançar no Senado a tempo das eleições de outubro. Diante dessa dificuldade, o governo vem tentando adotar outras ações que não dependam da deliberação do Congresso e reforçar esse discurso de combate ao financiamento das organizações criminosas”, disse.
Na avaliação da especialista, o desafio do governo é convencer o eleitor de que medidas voltadas à inteligência e ao combate financeiro do crime organizado produzem efeitos concretos no cotidiano da população.
Continua depois da publicidade
“Acho que há dúvidas sobre o quanto isso dialoga com o eleitor, que às vezes gostaria de uma resposta mais rápida. Há também a discussão sobre a criação de um Ministério da Segurança Pública, mas o eleitor pode não enxergar a criação de uma nova estrutura em Brasília como algo que faça diferença na vida dele”, afirmou.
Flávio aposta na pauta tradicional da direita
Do outro lado, Bianca vê a campanha de Flávio Bolsonaro concentrando esforços para transformar a segurança pública em sua principal bandeira eleitoral.
Segundo ela, o lançamento do plano “Brasil Sem Medo” dialoga diretamente com a sensação de insegurança da população e reforça um tema historicamente associado aos candidatos conservadores.
Continua depois da publicidade
“Tradicionalmente, a direita e os candidatos conservadores transitam melhor pela pauta da segurança pública. Você vê uma série de candidatos trazendo essa bandeira e, no caso do Flávio, esse deve ser um dos principais eixos da campanha. A ideia é tirar o medo da população em relação à violência e, ao mesmo tempo, associar a continuidade de um eventual Lula 4 a um temor em relação à economia”, afirmou.
Ela observa que as propostas apresentadas pelo senador ainda precisam ser detalhadas, mas a direção da campanha já está clara.
“A campanha do Flávio tem um foco muito grande nesse assunto. A grande aposta está na questão da segurança. O plano apresentado fala em maior encarceramento, construção de presídios de segurança máxima, redução da maioridade penal e progressão mais lenta das penas. Ainda faltam detalhes, mas esse deve ser um dos principais eixos da campanha”, disse.
Continua depois da publicidade
Debate será inevitável
Na avaliação da analista, nenhum candidato conseguirá escapar da pauta da segurança pública durante a campanha. Além de Flávio Bolsonaro, outros nomes da direita, como o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também tendem a explorar o tema de forma intensa, pressionando o governo a responder às críticas.
“O tema da segurança pública não poderá ser ignorado por nenhum dos candidatos. Ele estará nos debates, nos palanques e nas campanhas. O desafio da oposição será convencer que, agora, essas propostas podem produzir resultados diferentes. Já o desafio do governo será mostrar que o combate ao crime organizado pelo financiamento e pela inteligência é efetivo e consegue dialogar com a população”, afirmou.
Para Bianca, a disputa não será apenas sobre quais propostas são mais eficientes, mas sobre qual narrativa conseguirá transmitir ao eleitor a sensação de que é capaz de devolver segurança ao dia a dia da população.
O “Mapa de Risco”, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h, no YouTube e nas principais plataformas de podcast.
_____________________________
_____________________
_____________
_______
___
























