
Larissa Noel personifica Zezé Motta de forma radiante no musical em cartaz no Teatro Raul Cortez até hoje, 21 de abril
Gatú Filmes / Reprodução Instagram ‘Prazer, Zezé – O musical’
♫ CRÍTICA DE MUSICAL DE TEATRO
Título: Prazer, Zezé!
Dramaturgia: Toni Brandão
Direção: Débora Dubois
Direção musical: Claudia Elizeu
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ O título do musical “Prazer, Zezé!” é engenhoso porque, além de aludir à música composta em 1978 por Rita Lee (1947 – 2023) e Roberto de Carvalho para o primeiro álbum solo de Zezé Motta, sinaliza a intenção de apresentar Maria José Motta de Oliveira ao público com toda a plenitude dessa artista fluminense nascida em 27 de junho de 1944, em Campos dos Goytacazes (RJ), há quase 82 anos.
É que todo mundo conhece Zezé Motta, atriz de novelas como “Corpo a corpo” (1984) e “A nobreza do amor” (atual atração da TV Globo no horário das 18h), protagonista suntuosa do filme “Xica da Silva” (1976) e cantora de sucessos como o samba “Senhora liberdade” (Wilson Moreira e Nei Lopes, 1979). Mas muita gente desconhece a luta vitoriosa de Zezé para se impor como artista desde que, driblando o racismo entranhado em toda a sociedade, entrou em cena na segunda metade da década de 1960.
Em cartaz até hoje, 21 de abril, no Teatro Raul Cortez do Sesc 14 Bis, em São Paulo (SP), o espetáculo idealizado e escrito pelo dramaturgo Toni Brandão dá conta da função de apresentar Zezé Motta dessa forma plena, conectando o musical com pautas identitárias como o empoderamento feminino, o combate ao etarismo e a luta permanente para aniquilar o racismo.
A dramaturgia foge da linha Wikipedia, pondo em cena a essência da história de Zezé em musical permeado pela exuberante negritude que pauta todo o caminho de Zezé nas artes. “Negritude”, aliás, foi o título do segundo álbum solo da artista, lançado em 1979 e impulsionado pelo sucesso radiofônico do supracitado samba “Senhora liberdade”, presente naturalmente no roteiro do espetáculo ao lado de composições como “Magrelinha” (Luiz Melodia, 1973) e “Soluços” (Jards Macalé, 1969), músicas das quais Zezé se apropriou ao interpretá-las com a voz grave, quente e afinada.
No palco do Teatro Raul Cortez, Zezé Motta é personificada nas diferentes fases da vida por Larissa Noel, presença radiante em cena. Sob a direção de Débora Dubois, Larissa Noel se desvia do caminho da mimetização para captar a energia de Zezé em trabalho apurado e alicerçado por elenco harmonioso.
O musical proporcionou ao público o prazer de aplaudir os talentos de Maria Antônia Ibraim (como a mãe de Zezé, Maria Elazir Motta), Hipólyto – totalmente convincente na breve aparição como Luiz Melodia (1951 – 2017) em dueto com Larissa Noel – e Luciana Carnieli, incrível na reprodução dos trejeitos e da voz da atriz Marília Pêra (1943 – 2015), grande amiga de Zezé. Sem falar em Arthur Berges, com boa chave cômica na pele do figurinista e maquiador Carlinhos Prieto (1947 – 1995).
A força do musical “Prazer, Zezé!” também reside no caráter político da cena. Ao retratar a trajetória vitoriosa de Zezé Motta, enfatizando o racismo sofrido pela artista ao longo da vida e driblado com altivez, o espetáculo afirma a potência do povo negro do Brasil. É especialmente simbólico e emocionante o momento em que Larissa Noel quebra a quarta parede e dá o microfone aos espectadores negros presentes na plateia, permitindo que eles se apresentem ao público e ao próprio elenco, dizendo nome e profissão.
O musical “Prazer, Zezé!” se engrandece ao reafirmar a potência ancestral do povo negro a partir da história de Maria José Motta de Oliveira. Pela importância da artista e pela beleza do espetáculo, seria justo que o musical “Prazer, Zezé!” seguisse em cena por outras cidades do Brasil com o fim da aclamada temporada paulistana que se encerra hoje neste feriado de 21 de abril.
Larissa Noel e Hipólyto encenam no musical o encontro de Zezé Motta e Luiz Melodia (1951 – 2017)
Gatú Filmes / Reprodução Instagram ‘Prazer, Zezé – O musical’
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